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domingo, 25 de maio de 2014

Os babacas do metrô

Houve um tempo em que esperávamos a Lua entrar na sétima casa, Júpiter se alinhar com Marte e a paz reinar no planeta. Era a aurora da era de Aquarius. Aquarius, Aquarius. As mulheres arrancando os sutiãs, os homens com calça boca de sino, cavalos da polícia dançando, tudo porque a Lua tinha, finalmente, entrado na sétima casa.
Fernando Gabeira, jornalista, deputado.
Participou da luta armada, do sequestro
do embaixador Charles Elbrick (1969).
É um dos raros pensantes, hoje, dos que
dá nome aos bois, à vaca, aos bezerros e aos carrapatos,
desmistificando a ação das guerrilhas de esquerda em passado remoto.
Nossas esperanças hoje são mais prosaicas. Em vez de Júpiter se alinhar com Marte, contemplamos o alinhamento da Copa do Mundo com as eleições no Brasil. E os nervos estão mais sensíveis. Na cúpula, governo e Fifa se estranham. Para Jérôme Valcke, o contato com as autoridades brasileiras foi um inferno. Para Dilma Rousseff, Valcke e Joseph Blatter são um peso.
É o tipo de divórcio que não se resolve com as cartomantes que trazem de volta a pessoa amada em três dias. Eles se distanciam num mero movimento defensivo. Quem será o culpado se as coisas não derem certo?
Dilma, com a Copa das Copas, quer enfrentar a eleição das eleições e põe toda a sua esperança nos pés dos atletas. A Fifa não gostaria de entrar numa gelada no Brasil, mesmo porque o Qatar a espera com calor de 52 graus. Seriam dois fracassos seguidos, pois Blatter já admitiu que o Qatar foi um erro.
Essa conjunção histórica está levando a uma certa irritação da cúpula conosco, que não inventamos essa história. Blatter declarou que os brasileiros precisavam trabalhar mais porque as promessas de Lula não foram cumpridas. Nada mais equivocado do que essa visão colonial. Se Blatter caísse no Brasil e vivesse nossa vida cotidiana, constataria que trabalhamos muito mais que ele mesmo, um cartola internacional. Desde quando o objetivo do nosso trabalho é cumprir as promessas de Lula?
A tática de Lula é diferente da de Blatter. Lula não critica nossa insuficiência no trabalho, mas nossas aspirações de Primeiro Mundo. Ele, que vive espantando o complexo de vira-latas, apossando-se politicamente de uma frase de Nelson Rodrigues, nos convida agora a reviver o espírito que tanto condena: "Querer vir de metrô ao estádio é uma babaquice. Viremos a pé, de jumento...". Para Blatter, precisamos trabalhar mais; para Lula, desejar menos. Só assim nos transfiguramos na plateia perfeita para o espetáculo milionário.
Lula começou sua carreira falando em aspirações dos mais pobres, hoje prega o conformismo. Não é por acaso que o PT faz anúncios inspirados no medo de o adversário vencer as eleições. Não há mais esperança, apenas um apego desesperado aos carguinhos, à estrutura do Estado, aos grandes negócios.
No passado exibi um filme em que Lula e Sérgio Cabral dialogam com um garoto do Complexo da Maré. Eles entram em discussão, Cabral ofende o jovem e Lula diz ao garoto que gostava de jogar tênis: "Tênis é um esporte de burguês". Na cabeça de Lula, o menino tinha de se dedicar ao futebol. Outras modalidades seriam reservadas aos ricos. Se pudesse livrar-se de seus aspones e andar um pouco até a Baixada Fluminense, veria um campo de golfe em Japeri onde atuam dezenas de garotos pobres da região. Dali saem alguns dos melhores jogadores de golfe do Brasil.
Lá por cima, pela cúpula, muito nervosismo, uma certa impaciência com um povo que não se ajusta ao espetáculo. Estão mais ansiosos que os próprios jogadores para que o juiz dê o apito inicial. Nesse momento, acreditam, o Brasil cai num clima de festa. Com a vitória da seleção o Brasil entraria num alto-astral e os carguinhos, os grandes negócios, tudo ficaria como antes.
Li nos jornais algumas alusões à Copa de 70, a que assisti na Argélia. De fato, o PT vai se agarrar à seleção como o governo Médici o fez naquela época.
Mas já se passaram tantos anos, o Brasil mudou tanto, e o alinhamento das eleições com a Copa, organizada pelo País, tudo isso traz novidades que a experiência de 1970 não abarca.
Estamos entrando num momento inédito. Dilma é vaiada em quase todo lugar por onde passa. Lula está visivelmente ressentido com o povo, que não o celebra pela realização da Copa; que é babaca a ponto de desejar ir de metrô ao estádio.
Não importa qual deles venha. "Que vengan los toros", como dizem os espanhóis. Não importa quantos gols nosso ataque faça - e espero que sejam muitos -, a glória do futebol não obscurece mais nossas misérias políticas e sociais. Se os idealizadores da Copa no Brasil fizessem uma rápida pesquisa, veriam que o sonho de projetar a imagem de um país pujante e pacífico está ardendo nas fogueiras das ruas, na violência das torcidas, no caos cotidiano nas metrópoles, nos relatos sobre a sujeira da Baía de Guanabara.
O governo do PT e aliados não poderá esconder-se atrás do futebol, porque eles já foram descobertos antes de a Copa começar. A Copa do Mundo não sufoca as denúncias de corrupção porque a própria Copa está imersa nela. A Fifa, com Jérôme Valcke sendo acusado de venda irregular de jogadores, não ajuda. Até o técnico Felipão caiu nas redes do fisco português.
O sonho de uma plateia ideal para a Copa, milhares de pessoas com bandeirinhas, de um eleitorado ideal que vota sempre nos mesmos picaretas, de torcedores ideais que vão a pé ou de jumento para estádios bilionários, esse sonho entra em jogo também. Assim como aquele de projetar a imagem positiva do Brasil, o sonho de uma plateia ideal para a Copa foi por terra. Nem todos cantam abraçados diante das câmeras.
Começou um jogo delicado em que a Copa do Mundo é apenas uma etapa. Valcke vai viver o inferno nos 52 graus do Qatar e Dilma enfrentará a eleição das eleições, a qual precisa vencer, mas não para de cair.
A Lua entrou na sétima casa e não veio o paraíso. As eleições se alinham com a Copa, como Júpiter e Marte, e o Brasil, num desses momentos de verdade decisivos para sair dessa maré. Se estão nervosos agora, imagino quando as coisas esquentarem.
Os babacas que querem ir ao estádio do metrô podem querer também um governo limpo, um combate real à corrupção, serviços públicos que funcionem.
Babacas, felizmente, são imprevisíveis.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Retrato da universidade na era Lula: 38% dos alunos não sabem ler e escrever plenamente

Um país acaba por ter a cara de quem o (des)governa. Não basta empurrar aluno para uma faculdade em nome da “expansão do ensino superior” sem qualidade garantida. Até porque há certas coisas que se o sujeito não leva com ele para a universidade jamais sairá de lá com elas.
Mas acho que os números são até otimistas diante da bufarinheira petralha instituída com aval das próprias universidades: 38% dos estudantes universitários da era Lula/Haddad não dominam habilidades básicas de leitura e escrita.
A estatística é do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa.
O indicador reflete o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade. Criado em 2001, o Inaf é realizado por meio de entrevista e teste cognitivo aplicado em uma amostra nacional de 2 mil pessoas entre 15 e 64 anos. Elas respondem a 38 perguntas relacionadas ao cotidiano, como, por exemplo, sobre o itinerário de um ônibus ou o cálculo do desconto de um produto.
O indicador classifica os avaliados em quatro níveis diferentes de alfabetização: plena, básica, rudimentar e analfabetismo. Aqueles que não atingem o nível pleno são considerados analfabetos funcionais, ou seja, são capazes de ler e escrever, mas não conseguem interpretar e associar informações.
Segundo a diretora executiva do IPM, Ana Lúcia Lima, os dados da pesquisa reforçam a necessidade de investimentos na qualidade do ensino, pois o aumento da escolarização não foi suficiente para assegurar aos alunos o domínio de habilidades básicas de leitura e escrita.
"A primeira preocupação foi com a quantidade, com a inclusão de mais alunos nas escolas", diz Ana Lúcia. "Porém, o relatório mostra que já passou da hora de se investir em qualidade."

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Uma história Real. Onde você estava há 18 anos?

Muitos se lembram, não dá para esquecer.
Tantos – e não são poucos – fingem que se esqueceram.
Outros, com certeza, são os milhares de brasileiros que desconhecem os fatos. Estes, talvez sem saber exatamente do que se trata, até já ouviram falar de inflação.
Há 18 anos, ela infernizava a vida de todos com o aumento generalizado e contínuo dos preços, com a desvalorização da moeda por conta da má administração da economia.
Os mais jovens, que hoje convivem com a moeda brasileira, o Real, certamente não têm noção do que isso significa para todos que, há 18 anos, viram nascer o único programa da história da República Nacional que funciona. O único que não só botou no eixo a economia e combateu a hiperinflação, como garantiu ao Brasil condições de se desenvolver e consolidar as bases da estabilidade de que hoje o país desfruta.
Em julho de 1994, a inflação batia à casa dos 50% ao mês. A alta incontida dos preços destroçava o poder de compra da população.
Itamar Franco era o presidente. Assumiu após o fiasco do governo de Fernando Collor de Mello, que renunciou ao cargo para safar-se de um impeachment por crimes de responsabilidade em meio a um tsunami de denúncias por corrupção trazidas a público pelo próprio irmão dele, Pedro Collor. O clima era de recessão, desemprego, descrença generalizada nas instituições.
Ministro da Fazenda do governo Itamar, Fernando Henrique Cardoso, com o apoio de uma equipe de economistas, idealizou o projeto e implantou as reformas econômicas e monetárias, o chamado Plano Real. Antes, o Brasil amargou o fracasso de sucessivos planos contra uma inflação renitente, que de 1965 até 1994 acumulou 16 dígitos: 1.142.332.741.811.850% um percentual comparável ao da Alemanha em 1920, quando aquele país teve sua moeda e sua economia destruídas.
Melhor seria nem lembrar, mas dá para imaginar os efeitos disso na vida de um assalariado. 
Mas o Plano Real vingou e ainda sobreviveu a três grandes crises mundiais que não foram nenhuma marolinha não: a Crise do México (1995), a Crise Asiática (1997-1998) e a Crise da Rússia (1998).
Apesar de tudo, Lula Inácio da Silva & Cia do PT foram os maiores opositores do Real. Votaram contra, apostaram na instabilidade e no fracasso, publicamente deturparam todas as medidas de salvação da economia e de recuperação do crescimento do país.
Já na presidência, durante oito anos Lula mentiu descaradamente, disse que recebeu uma herança maldita. Ao contrário, herdou um país com inflação controlada por medidas saneadoras, de efeito duradouro. Elas permitiram arrumar a casa e condicionaram a prosperidade econômica que elevou o Brasil ao posto de 6ª economia mundial.
Os fatos são recentes, embora a fuzarca nacional conspire por confirmar aquela tese do jornalista Ivan Lessa: há cada quinze anos o Brasil esquece os últimos quinze anos.
Mas a história do Real é real. Tudo documentado em texto, imagem, cor e som. Na memória de quem viu e viveu.
Ainda que, contra a boa-fé dos que realmente não a conhecem, os voluntariamente esquecidos e os desonestamente desmemoriados insistam em não reconhecer o feito. Ou encobri-lo e desmerecê-lo, como faz o velhaco Lula Inácio sob o testemunho das câmeras no vídeo abaixo.
Para mais refrigério da memória, o leitor vai encontrar, aqui e aqui, respectivamente, ótimo artigo do Jornalista Augusto Nunes, publicado em seu blog, e um bom resumo do site Wikipédia sobre aqueles tempos trevosos. Que, oxalá, não retornem por obra dos prevaricadores empoleirados no poder.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Lula e o ornitorrinco

“Lula não tem caráter.”
A frase matadora é do sociólogo Chico de Oliveira, fundador do PT, no programa Roda Viva, da TV Cultura, que foi ao ar ontem, 02/07/2012. Professor emérito da USP, torturado e perseguido pela ditadura, Chico é daqueles que não fazem praça disso.  
Na entrevista, altamente recomendada para petralhas e oposicinha em geral, ele expõe o oportunismo ‘tout court’ do partido voltado à perpetuação do PT no poder.
E antes que se recorra à patifaria da “perseguição pela mídia” ou se acuse o velho Chico de qualquer ressentimento – o que decerto os ressentidos militontos farão –, cabe lembrar certas "afinidades eletivas": não existe eleito sem eleitor, nem (des)governante sem (des)governado.
Quem quiser assistir à entrevista, disponível no Youtube, basta clicar no link:
Charge de Chico Caruso
(Chico de Oliveira é autor do livro “Crítica à Razão Dualista: O Ornitorrinco”, publicado em 2003. A obra analisa a economia e compara o Brasil ao ornitorrinco – um bicho que não é isso nem aquilo: urbanizado, mas com pouca força de trabalho e instrução insuficiente, saúde e educação precárias. Um país que ‘parece dispor de consciência, pois já se democratizou há três décadas’, mas que padece da falta de conhecimento, ciência e técnica. O ornitorrinco – um animal improvável na escala da evolução – é a forma como Chico qualifica a espécie de capitalismo que se gerou no país e que não dá mostras de mudança com o Partido dos Trabalhadores na Presidência da República.)

sábado, 9 de junho de 2012

Nosso futuro comum

Os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir
O ponto de partida é uma frase de Lula: “Não deixarei que um tucano assuma de novo a Presidência“. Lembro, no entanto, que não sou de pegar no pé de Lula por suas frases. Cheguei a propor um “habeas língua” para o então presidente na sua fase mais punk, quando disse que a mãe nasceu analfabeta e que se a Terra fosse quadrada a poluição não circularia pelo mundo. Lembro também que hoje concordo com o filósofo americano Richard Rorty: não há nada de particular que os intelectuais saibam e todo mundo não saiba. Refiro-me à ilusão de conhecer as leis da História, deter segredos profundos sobre o que dinamiza seu curso e dominar em detalhes os cenários futuros da humanidade.
Nesse sentido, a eleição de Lula, um homem do povo, sem educação formal superior, não correspondeu a essa constatação moderna de Rorty. Isso porque, apesar de sua simplicidade, Lula encarnava a classe salvadora no sonho dos intelectuais, via luta de classes como dínamo da História humana, e traçava o mesmo futuro paradisíaco para o socialismo. Na verdade, Lula falava a linguagem dos intelectuais. Seus comentários que despertaram risos e ironias no passado eram defendidos pelos intelectuais com o argumento de que, apesar de pequenos enganos, Lula era rigorosamente fundamentado na questão essencial: o rumo da História humana.
A verdade é que a chegada do PT ao poder o consagrou como um partido social-democrata e, ironicamente, a social-democracia foi o mais poderoso instrumento do capitalismo para neutralizar os comunistas no movimento operário. São mudanças de rumo que não incomodam muito quando se chega ao poder. O capitalismo é substituído pelas elites e o proletariado salvador, pelos consumidores das classes C e D. Os sindicalistas vão ao paraíso de acordo com os critérios da cultura nacional, consagrados pela canção: É necessário uma viração pro Nestor,/ que está vivendo em grande dificuldade.
Se usarmos a fórmula tradicional para atenuar o discurso de Lula, diremos que o ex-presidente queria expressar, com sua frase sobre um tucano na Presidência, que faria todo o esforço para a vitória do seu partido e para esclarecer os eleitores sobre a inconveniência de eleger o adversário. Lula sabe que ninguém manda no processo eleitoral. São os eleitores que decidem se alguém ocupará a Presidência. Foi só um rápido surto autoritário, talvez estimulado pelo tom de programa de TV, luzes e uma plateia receptiva.
Se o candidato tucano for, como tudo indica, o senador Aécio Neves, também eu, em trincheira diferente da de Lula, farei todo o esforço para que o tucano não chegue à Presidência. Aécio foi um dos artífices na batalha para poupar Sérgio Cabral da CPI e confirmou, com essa manobra, a suspeita de que não é muito diferente do PT no que diz respeito aos critérios de alianças e ao uso da corrupção dos aliados para fortalecer seu projeto de poder. Tudo o que se pode fazer, porém, é tornar clara a situação para o eleitor, pois só ele, em sua soberania, vai decidir quem será o eleito.
Na verdade, essa batalha será travada também na esfera da economia. Vivemos um momento singular na História do mundo. A crise mundial opõe defensores da austeridade, como Angela Merkel, e os que defendem mais gastos e investimentos, dentro da visão keynesiana de que a austeridade deve ser implantada no auge do crescimento, e não durante o período depressivo. O PT dirigiu o País num período de crescimento e muitos gastos, não tanto no investimento, mas no consumo. É possível que esse modelo de estímulo à economia tenha alcançado seus limites.
Muito possivelmente, ainda, o curso dos acontecimentos não dependerá tanto da vontade de Lula nem dos nossos esforços individuais. A democracia prevê alternância no poder. E a análise de como essa alternância se dá na prática revela, em muitos casos, uma gangorra entre austeridade e gastança. De modo geral, a crise derrota um governo austero e coloca seu oposto no poder, como na França. Mas às vezes derrota um governo social-democrata e elege seu adversário direto, como na Espanha.
Pode ser que o esgotamento do modelo de estímulo ao consumo abra espaço para discurso de reformas fiscal e trabalhista, de foco em educação e infraestrutura, enfim, de uma fase de austeridade. E não é totalmente impossível que um partido de oposição chegue ao governo. Restaria ao PT, nesse caso, um grande consolo: ao cabo de um período de austeridade, o partido teria grandes chances de voltar ao poder com seu discurso do “conosco ninguém pode”, do “vamos que vamos”, “nunca antes neste país”… Não estou afirmando que esse mecanismo vai prevalecer, é uma das possibilidades no horizonte. A outra é o próprio PT assumir algumas das diretivas de austeridade e conduzir o processo sem necessariamente deixar o poder.
Por mais que a crise seja aguda, o apelo ao consumo e à manutenção de intensas políticas sociais é muito forte na imaginação popular. O discurso de austeridade só tem espaço eleitoral quando as coisas parecem ter degringolado.
O futuro está aberto e não será definido pela exclusiva vontade de Lula. Com todo o respeito ao Ratinho e sua plateia, o povo brasileiro é mais diverso e complexo. Se é verdade que a História não se define nas academias intelectuais, isso não significa que ela tenha passado a ser resolvida nos programas de auditório.
No script do socialismo real o proletariado foi substituído pelo partido, o partido pelo comitê central e o comitê central por um só homem. No script da social-democracia tropical Lula substituiu o proletariado, o partido, o comitê central e o próprio povo brasileiro ao dizer que não deixará um tucano voltar à Presidência. Se avaliar com tranquilidade o que disse, Lula vai perceber que sua frase não passa de uma bravata.
O que faz um homem tão popular e bem-sucedido bravatear no Programa do Ratinho é um mistério da mente humana que não tenho condições de decifrar. A única pista que me vem à cabeça está na sabedoria grega: os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir.

domingo, 3 de junho de 2012

O vilão e o bastão

Antônio Machado de Carvalho (Do Jornal O Tempo, 31/05/2012)
Com o refinamento de um velho professor, melhor dizendo, de um professor doutor em trapalhadas e malfeitorias (reconhecido, até, como Honoris Causa por respeitáveis Universidades), o ex-presidente Luiz Inácio da Silva resolveu recentemente, e mais outra vez, fazer aquilo que sabe melhor: achincalhar a Constituição, as Leis e as Instituições, bases sobre as quais se assenta nosso Estado Democrático de Direito, numa peita inaceitável ao Ministro Gilmar Mendes, visando melar o julgamento pelo STF do mensalão, obra prima do governo Lula. Para seus padrões, nada de inusitado haveria em seu comportamento. Causaria espanto se fosse o contrário. Compostura, de fato, não é o seu forte.
Nem nos episódicos dias em que esteve detido, ainda no governo militar, ele soube se haver com decência. O estupro, real ou tentado, de um jovem que compartilhava com ele a prisão  o notório caso do “menino do MEP”  não foi esquecido pelos homens de bem. O sátiro predador de viuvinhas de sindicato não tinha pejo de se lançar contra qualquer pessoa que lhe acicatasse a libido, em crua e extremada falta de limites e de respeito às interdições sociais. Não se deve minimizar, igualmente, a bem da verdade, que seu partido  o PT  guardava, e guarda, coerência e fina sintonia com seu líder maior. Tanto é que deliberou, naqueles já distantes idos de 1988, em não reconhecer, e não assinar, a nova Constituição Federal para cuja elaboração fora eleito o então deputado Inácio da Silva. Aliás, aqueles que de alguma maneira acompanham o dia-a-dia da política nacional não encontrarão, nestas mais de duas décadas transcorridas, qualquer declaração do ex-presidente no sentido de defesa da Carta Magna.
Mas o melhor de suas manifestações, ou o pior, para ser mais exato, foram suas avaliações sobre membros do STF (por ocasião de seu incrível encontro com o ministro Gilmar Mendes na casa do ex-ministro Nelson Jobim), ao imaginá-los subalternos e submissos a seus patronos de nomeação para o pretório excelso. Lula tentou apequenar os ilustres ministros Ayres de Brito e Carmem Lúcia de maneira tosca e grosseira, usando um metro à sua imagem e semelhança. Os ministros Tóffoli e Levandowski foram referidos por ele como se fossem meninos de recado. Suas aleivosias contra o ministro Joaquim Barbosa, no entanto, tangenciam a injúria e a difamação, ao tachá-lo de “traidor” e “complexado”. Este último adjetivo, esclareça-se, é uma tradução popularesca do conceito de ressentimento. Ressentido, vejamos, por qual razão? Por ser negro? Homem cioso de si, de seu valor intelectual, de suas origens e de suas conquistas pessoais, o ministro Joaquim Barbosa pode ser tudo, menos ressentido. É uma psicologia barata, a que povoa o imaginário de Luiz Inácio da Silva. Ela não se confunde, todavia, com ditados hauridos da sabedoria popular, e que são o seu perfeito retrato: se quer conhecer o vilão, “basta lhe dar o bastão!”.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Eu não acredito...

Eu não acredito que o ex-presidente Lula Luiz Inácio da Silva pressionou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para adiar o julgamento do mensalão – aquela sofisticada organização criminosa do PT, segundo a Procuradoria Geral da República, chefiada pelo José Dirceu.
Não acredito na reportagem da revista Veja – segundo a qual a conversa teria ocorrido em um encontro casual no escritório de advocacia do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim.
Não acredito que Lula disse que o julgamento do mensalão agora seria “inconveniente”, porque a decisão poderá influenciar o resultado das eleições deste ano. Não, não acredito que tenha feito ameaça velada ao ministro Gilmar, em troca de suposto apoio na Comissão Parlamentar de Inquérito do bicheiro Carlinhos Cachoeira, por causa de um encontro em Berlim, entre Mendes e o senador Demóstenes Torres, investigado na CPI.
Eu não acredito que Lula comanda o engonço dessa CPI do Cachoeira, chefiada por seu agora amiguinho de infância, Fernando Collor, aquele que por pouco escapou de um impeachment só deus e o brasileiro memorioso sabe por quê.
Tudo bem que eu acredito que o ministro Gilmar Mendes, constrangido por Lula, tenha lhe dito para ir fundo na CPI, mas não acredito não seja esta a vontade de Lula.
Aliás, eu não acredito que essa CPI do Cachoeira é só mais um engodo para desviar o foco do mensalão como não acredito que o tal Cachoeira é amigo de tutti quanti e seja boi de piranha dessa pataquada para tentar impedir que o bando de mensaleiros pague por seus crimes na Justiça.
Falar em Justiça, também não acredito que só porque a maioria dos ministros do STF é indicada pelo camarada Lula o julgamento do mensalão vai sendo arrastado em passo de lesma lerda, para não ser decidido em ano eleitoral e dar na prescrição-prêmio dos réus.
Não. Eu não acredito que essa chicana toda possa ser respaldada pela Suprema Corte de Justiça. Nem acredito que o Lula falou, durante o encontro com Gilmar Mendes, que “O Zé Dirceu está desesperado.” – até porque o Zé, eu, você, eles, nós sabemos que a Justiça nesse país não é do tipo “apertou, afrouxe, oi, eu acho que é tudo deboche, aqui tudo se leva no bico”.
Eu não acredito que essa turma esteja convencida de que todos os brasileiros – com exceção daqueles que levam o $eu para dar testemunho e fé nessa carocha toda – sejam tão idiotas, tão bananas de mesmo cacho.
Nem meu amigo, o ET de Varginha, que está aqui, ó, doidinho pra dar um alô.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A falência múltipla dos órgãos públicos

Arnaldo Jabour (publicado no Jornal O Globo, 17/04/12)
Os corruptos ajudam-nos a descobrir o País. Há sete anos, Roberto Jefferson nos abriu a cortina do mensalão. Agora, com a dupla personalidade de Demóstenes Torres, descortinamos rios e florestas e a imensa paisagem de Cachoeira. Jefferson teve uma importância ideológica.
Cachoeira é uma inovação sociológica. Cachoeira é uma aula magna de ciência política sobre o Sistema do País. Vamos aprender muito com essa crise. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras, de palavras que eclodiram diante de nossos olhos nas últimas semanas. Meu Deus, que riqueza, que profusão de cores e ritmos em nossa consciência política! Que fartura de novidades da sordidez social, tão fecunda quanto a beleza de nossas matas, cachoeiras, várzeas e flores.
Roberto Jefferson denunciou os bolchevistas no poder, os corruptos que roubavam por “bons motivos”, pelo “bem do povo”, na base dos “fins que justificam os meios”. E, assim, defenestrou a gangue de netinhos de Lenin que cercavam o Lula que, com sua imensa sorte, se livrou dos mandachuvas que o dominavam. Cachoeira é uma alegoria viva do patrimonialismo, a desgraça secular que devasta a história de nosso País. Sarney também seria ‘didático’, mas nada gruda nele, em seu terno de ‘teflon’; no entanto, quem estudasse sua vida entenderia o retrato perfeito do atraso brasileiro dos últimos 50 anos.
Cachoeira é a verdade brasileira explícita, é o retrato do adultério permanente entre a coisa pública e privada, aperfeiçoado nos últimos dez anos, graças à maior invenção de Lula: a ‘ingovernabilidade’.
Cachoeira é um acidente que rompeu a lisa aparência da ‘normalidade’ oficial do País. Sempre soubemos que os negócios entre governo e iniciativa privada vêm envenenados pelas eternas malandragens: invenção de despesas inúteis (como as lanchas do Ministério da Pesca), superfaturamento de compras, divisão de propinas, enfrentamento descarado de flagrantes, porque perder a dignidade vale a pena, se a grana for boa, cabeça erguida negando tudo, uns meses de humilhações ignoradas pelo cinismo e pela confiança de que a Justiça cega, surda e muda vai salvá-los. De resto, com a grana na ‘cumbuca’, as feridas cicatrizam logo.
O governo do PT desmoralizou o escândalo e Cachoeira é o monumento que Lula esculpiu. Lula inventou a ingovernabilidade em seu proveito pessoal. Não foi nem por estratégia política por um fim ‘maior’ – foi só para ele.
Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de governo, em um instrumento de trabalho. A corrupção pública e a privada é muito mais grave e lesiva que o tráfico de drogas.
Lula teve a esperteza de usar nossa anomalia secular em projeto de governo. Essa foi a realização mais profunda do governo Lula: o escancaramento didático do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e ‘peronista’ patrimonialismo de Estado.
Quando o paladino da moralidade Demóstenes ficou nu, foi uma mão na roda para dezenas de ladrões que moram no Congresso: “Se ele também rouba, vamos usá-lo como um Omo, um sabão em pó para nos lavar, vamos nos esconder atrás dele, vamos expor nosso escândalo por seu comportamento e, assim, seremos esquecidos!”
Os maiores assaltantes se horrorizaram, com boquinha de nojo e olhos em alvo: “Meu Deus… como ele pôde fazer isso?…”
Usam-no como um oportuno bode expiatório, mas ele é mais um ‘boi de piranha’ tardio, que vai na frente para a boiada se lavar atrás.
Demóstenes foi uma isca. O PT inventou a isca e foi o primeiro a mordê-la. “Otimo!” – berrou o famoso estalinista Rui Falcão – “Agora vamos revelar a farsa do mensalão!” – no mesmo tom em que o assassino iraniano disse que não houve holocausto. “Não houve o mensalão; foi a mídia que inventou, porque está comprada pela oposição!” Os neototalitários não desistem da repressão à imprensa democrática…
E foi o Lula que estimulou a CPI, mesmo prejudicando o governo de Dilma, que ele usa como faxineira também das performances midiáticas que cometeu em seu governo. Dilma está aborrecida. Ela não concorda que as investigações possam servir para que o Partido se vingue dos meios de comunicação e não quer paralisar o Congresso. Mas Lula não liga. “Ela que se vire…” – ele pensa em seu egoísmo, secretamente, até querendo que ela se dane, para ele voltar em 14. Agora, todo mundo está com medo, além da presidente. O PT está receoso – talvez vagamente arrependido. Pode voltar tudo: aloprados, caixas 2 falsas, a volta de Jefferson, Celso Daniel, tantas coisinhas miúdas… A CPI é um poço sem fundo. O PMDB, liderado pelo comandante do atraso Sarney, também está com medo. A velha raposa foi contra, pois sabe que merda não tem bússola e pode espirrar neles. Vejam o pânico de presidir o Conselho de Ética, conselho que tem membros com graves problema na Justiça. Se bem que é maravilhoso o povo saber que Renan, Juca, Humberto Alves, Gim Argello, Collor serão os ‘catões’, os puros defensores da decência… Não é sublime tudo isso? Nunca antes, em nossa história, alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto sobre o Brasil. A cada dia nos tornamos mais sábios, mais cultos sobre essa grande chácara de oligarquias. E eu estou otimista. Acho que tudo que ocorre vai nos ensinar muito. Há qualquer coisa de novo nessa imundície. O mundo atual demanda um pouco mais de decência política. Cachoeira, Jefferson, Durval Barbosa nos ensinam muito. Estamos progredindo, pois aparece mais a secular engrenagem latrinária que funciona abaixo dos esgotos da pátria. A verdade está nos intestinos da política.
Mas, o País é tão frágil, tão dependente de acasos, que vivemos com o suspense do julgamento do mensalão pelo STF.
Se o ministro Ricardo Lewandowski não terminar sua lenta leitura do processo, nada acontecerá e a Justiça estará desmoralizada para sempre.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Brasil já é exportador de jegue

A China vai importar 300 mil jegues do Nordeste. Um acordo entre Brasil e China liberou o comércio dos animais – também conhecidos como burros e jumentos, que são largamente utilizados pelos chineses nas indústrias de alimentos e de cosméticos.
Leia mais, aqui, no JC Online.
Pois é. O Brasil importa Jac e exporta jegue. Depois dessa notícia, ninguém há de duvidar que após uma década de desgovernança lulopetralha e desindustrializacionista, como diria o velho Odorico Paraguaçu, o Brasil finalmente entrou numa era de desenvolvimento e prosperidade abestada: exporta jumento.
Dizem por aí que Lula está muito sensibilizado com este efeito imprevisto de tamanho milagre econômico, pois perde parte do eleitorado. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ministério da Verdade

MARCO ANTONIO VILLA (Jornal Folha de S.Paulo, 09.01.12)
Estamos vivendo um tempo no qual os donos do poder exigem obediência absoluta.
No Congresso, a oposição representa apenas 17,5% das cadeiras. O governo tem uma maioria digna da Arena. Em 1970, no auge do regime militar, o MDB, partido de oposição, chegou a examinar a proposta de autoextinção. Quatro anos depois, o mesmo MDB venceu a eleição para o Senado em 16 dos 22 Estados existentes (no Maranhão, o MDB nem lançou candidato).
Ou seja, a esmagadora maioria de hoje pode não ser a de amanhã. Mas, para que isso aconteça, é necessário fazer algo básico, conhecido desde a antiga Grécia: política.
É nesse terreno que travo o meu combate. Sei que as condições são adversas, mas isso não significa que eu tenha de aceitar o rolo compressor do poder. Não significa também que eu vá, pior ainda, ficar emparedado pelos adversários que agem como verdadeiros policiais do Ministério da Verdade.
Faço essas ressalvas não para responder aos dois comentários agressivos, gratuitos e sem sentido do jornalista Janio de Freitas, publicados nesta Folha nos textos “Nada mais que o Impossível” (1º de janeiro) e “Meia Novidade” (3 de janeiro). Não tenho qualquer divergência ou convergência com o jornalista. Daí a minha estranheza pelos ataques perpetrados sem nenhuma razão (aparente, ao menos).
A minha questão é com a forma como o governo federal montou uma política de poder para asfixiar os opositores. Ela é muito mais eficiente que as suas homólogas na Venezuela, no Equador ou, agora, na Argentina.
Primeiro, o governo organizou um bloco que vai da direita mais conservadora aos apoiadores do MST. Dessa forma, aprova tudo o que quiser, com um custo político baixo. Garantindo uma maioria avassaladora no Congresso, teve as mãos livres para, no campo da economia, distribuir benesses ao grande capital e concessões aos setores corporativos. Calou também os movimentos sociais e sindicatos com generosas dotações orçamentárias, sem qualquer controle público.
Mas tudo isso não basta. É necessário controlar a imprensa, único espaço onde o governo ainda encontra alguma forma de discordância. No primeiro governo Lula, especialmente em 2005, com a crise do mensalão, a imprensa teve um importante papel ao revelar as falcatruas – e foram muitas.
No Brasil, os meios de comunicação têm uma importância muito maior do que em outras democracias ocidentais. Isso porque a nossa sociedade civil é extremamente frágil. A imprensa acaba assumindo um papel de enorme relevância.
Calar essa voz é fechar o único meio que a sociedade encontra para manifestar a sua insatisfação, mesmo que ela seja inorgânica, com os poderosos.
Já em 2006, quando constatou que poderia vencer a eleição, Lula passou a atacar a imprensa. E ganhou aliados rapidamente. Eram desde os jornalistas fracassados até os políticos corruptos – que apoiavam o governo e odiavam a imprensa, que tinha denunciado suas ações “pouco republicanas”.
Esse bloco deseja o poder absoluto. Daí a tentativa de eliminar os adversários, de triturar reputações, de ameaçar os opositores com a máquina estatal.
É um processo com tinturas fascistas, que deixaria ruborizado Benito Mussolini, graças à eficiência repressiva, sem que se necessite de esquadrões para atacar sedes de partidos ou sindicatos. Nem é preciso impor uma ditadura: o sufrágio universal (sem política) deverá permitir a reprodução, por muitos anos, dessa forma de domínio.
Os eventuais conflitos políticos são banais. Por temer o enfrentamento, a oposição no Brasil tenderá a ficar ainda mais reduzida e restrita às questões municipais e, no máximo, estaduais.

* Marco Antonio Villa é historiador, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Transposição cada vez mais cara

(DO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO)
Decidida e iniciada às pressas por interesse político-eleitoral, sem que houvesse estudos que dirimissem dúvidas quanto à sua viabilidade econômica nem projetos executivos para assegurar a boa execução dos trabalhos, a transposição do Rio São Francisco está ficando cada vez mais cara para os contribuintes e ainda não se sabe quanto, afinal, custará nem quando estará concluída. Responsável no governo pelo projeto, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, agora anuncia que, mesmo depois de licitadas todas as obras necessárias e assinados os respectivos contratos, nova licitação terá de ser feita, ao preço de pelo menos R$ 1,2 bilhão, para recuperação do que se deteriorou e execução do que deveria ter sido feito, mas não foi.
O custo de R$ 5 bilhões, anunciado quando as obras foram iniciadas, em 2007, vem sendo revisto desde então. Se as novas obras a serem contratadas ficarem no valor previsto pelo governo, o total alcançará R$ 6,9 bilhões. Mas ainda não se sabe quanto mais será gasto com a nova licitação. "Só vamos ter certeza do valor quando concluirmos o processo licitatório e fecharmos o contrato", disse o ministro ao Estado. Isso ainda levará algum tempo, pois o ministro pretende lançar a licitação em março.
Certamente, quando o contrato for fechado, o ministro e todos os brasileiros saberão quanto mais custará esse projeto eleitoreiro idealizado pelo ex-presidente Lula e que sua sucessora Dilma Rousseff se comprometeu a concluir. Mas nem depois de fechados os novos contratos se terá certeza de que não haverá outros custos adicionais.
A transposição do São Francisco é uma amostra exemplar do padrão de gestão petista. Decisões são tomadas não com base em cálculos econômico-financeiros ou estudos sobre a importância e a urgência do projeto para a região e para o País, mas tendo em conta os interesses do PT e de seus aliados de ocasião.
Leia mais, aqui.
O vídeo abaixo denuncia em que pé não estão as obras. Foram abandonadas logo após a eleição de Dilma. Adiadas para 2015, ficarão 40% acima do valor previsto. E esse povo ainda vota nessa gente, meu Deus! Engole a seco promessa eleitouceira e vota, meu Deus!

domingo, 28 de agosto de 2011

Noves fora, zero para a Educação!


Mais quero asnos que me carreguem que cavalo que me derrube. Essa doutrina impera em feudos maranhenses, mas já galopa pelo Brasil da Era Lula, cujo legado é o país da douta ignorância. Que segue diplomando analfabetos funcionais e concede título de doutor honoris causa ao patrono da gandaia. 
Um vexame nacional: esse é o resultado da Prova ABC sobre a alfabetização no país, onde só 32% dos alunos das escolas públicas sabem somar e subtrair. Em nível de leitura, então, vá medir o tamanho da vergonha (basta clicar aqui).    
Ao cabo e ao fundo (sem diferir entre forma e fundo) vai-se instituindo a ignorância como (d)efeito a justificar cotas e bônus para estudantes contra a virtude do mérito de alunos que realmente estudam. 
Nesse trotar, improvável é o futuro do eterno país do futuro. Que o diga a Prova ABC. Mas já se vislumbra, por aí, quanta firmeza de opinião reservam esses brasileirinhos, e-leitores do Brasil de amanhã. A confirmar nas urnas o analfabeto político e o político analfabeto, sob as rédeas da corrupção do populismo trotador, upa!, upa! 


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Eu só duvido vendo


Quem não tem colírio e usa óculos escuros, escutou dona Dilma Rousseff, no lançamento do plano Brasil sem Miséria (veja aqui), ressaltar a participação dos governadores no combate à pobreza e declarar em relação aos escândalos que Lula deixou-lhe como herança:
"Quero reafirmar a importância do pacto que firmamos hoje. É o Brasil inteiro fazendo a verdadeira faxina que esse país tem que fazer: a faxina contra a miséria".
A ideia de faxina veio de encomenda da imprensa. A tal faxina não é assim uma Brastemp. Dona Dilma só faz espanar a poeira sem varrer o pó. Bota um lixinho para fora, mas retém o entulho dentro do governo.
A dita faxina é um embuste. Só tolo não vê. Só conivente acata. Dona Dilma não tem um plano de combate à corrupção (até porque é refém dos corruptos  avalizados por Lula). Não tem posição definida quanto aos fatos. Apenas  diz não se deixar pautar pela mídia. Mídia, no caso, entenda-se a minoria de uma imprensa livre fazendo o papel de dedo indicador ao denunciar a sujeira. O resto levanta o polegar. Ou o usa para bater o chamegão chapa-branca do jornalismo analfabeto político.
Falemos de faxina quando o bandido estiver na cadeia, a sentença transitar em julgado e o dinheiro surrupiado voltar aos cofres públicos. Não há faxina de miséria enquanto o governo não se limpa da corrupção parideira de todos os males, a miséria moral inclusive e principalmente.  
No caso de dona Dilma Rousseff, limpar-se da corrupção significa romper com os desvios do passado podre que Luís Inácio deixou-lhe em mãos. Se tal ruptura acontecer, me avisem. Enquanto isso, faxina é o escambau. O que há é uma velha modalidade de burla: demite-se o ladrão ou espera-se que ele peça demissão. Como se esse ato de confissão de culpa limpasse a ficha e o ambiente infectado pela corrupção acumulada nos batentes da imoralidade político-administrativa  escondida por Luís Inácio sob o tapete de seus dois mandatos. Com a qual entronizou sua sucessora.
Se dona Dilma Rousseff quiser mesmo fazer faxina, sabe muito bem por onde deveria começar. É uma questão de, digamos assim, prendas domésticas do Planalto. Mas aí eu só duvido vendo.