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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Chega de presepada!

Roger Rocha
Bom, acabou a presepada. Acabou a ilusão. Ainda bem! Se formos inteligentes, aprenderemos alguma coisa. Não se ganha nada com esperança, raça, garra, fé, auto-estima e outros atributos impalpáveis. Muito menos com propaganda. Não é porque somos bacanas, alegres, gente boa que vamos ganhar a Copa ou o que quer que seja.
Esse foi mais um exemplo de que a malandragem não funciona. Corrupção também no futebol, que todo mundo sabe que existe, dá nisso. Aliás, a corrupção já faz parte de nossa cultura, infelizmente. E é um atraso de vida. É ignorância.
A Alemanha nos deu uma excelente mostra de como se faz uma coisa bem feita. Nem todo mundo sabe, mas a Alemanha, insatisfeita com as acomodações reservadas a sua seleção, CONSTRUIU suas próprias acomodações na Bahia. ASFALTOU o caminho até o hotel. Treinaram à UMA da tarde, NA BAHIA, para se acostumarem ao calor.
Desenvolveram um aplicativo de computador para acompanhar o desenvolvimento de seus jogadores e corrigirem seus erros. Acompanharam a evolução do futebol (e do mundo) em vez de sentarem nos louros do passado.
É assim que as coisas funcionam. Sem orgulho besta e vazio. Sem inveja, sem desculpas, sem propaganda condescendente, sem fechar os olhos para nossos defeitos. Temos qualidades sim, mas nada impede que tenhamos ainda mais.
Ou nos conscientizamos de que nada virá de um “salvador da pátria” e que a única maneira de progredirmos é com conhecimento e trabalho e começamos a realmente progredir ou assumimos que somos um povo “pitoresco, alegre, divertido e colorido” mas burro como um macaquinho de realejo e deixamos que vários espertalhões continuem ditando nossos caminhos por puro interesse monetário.
Essa é a decisão que temos de tomar agora. Os exemplos estão aí, claros como água.

terça-feira, 8 de julho de 2014

O Brasil perdeu a Copa? Viva o Brasil!

Não é porque a seleção brasileira de futebol perdeu o jogo para a equipe alemã que se vai dizer: ah, o Brasil perdeu a Copa. Perder a Copa o país já perdeu há muito tempo, no rodo das promessas de um legado que não veio. Nem virá. Quem ganhou foi a Fifa. Fizemos a nossa parte, pagamos a conta da festa, tudo como manda o Padrão Brasil. A gente torceu – e como! – pelo futebol em campo, em tudo diferente do jogo cá fora, para além dele e dos entorpecimentos do sentido que possa provocar. 
Pena, mesmo, é que a geral não leve para fora do quadrado a paixão pelo fair play. Vestir-se e pintar-se de verde amarelo a cada quatro anos para levantar bandeira não é nenhuma canalhice. Canalhice é tentar se apoderar do futebol, da paixão nacional, do campeonato, do choro livre. Ora, nada é mais livre que o choro, dispensa bons modos, dispensa educação, não precisa pedir licença.
Depois, com choro, cerveja e xixi, vai pelo ralo qualquer indignação cívica. Nem falta até quem defenda que tenha jogo todo dia, para nos livrarmos e nos curarmos de todas as nossas mazelas e canalhices.  Amanhã, todo mundo esquece e o melhor é tocar a bola pra frente. Euforias não duram mais que uma semana. Pouco mais do que os escândalos no país, que não duram mais do que vinte quatro horas e logo vem outro cobrir a falta na área. Decepção e sorriso amarelo não tem como esconder. É vero, a paixão pode cegar as pessoas. Mas quem sabe possa a cegueira aguçar os ouvidos, fazê-las quererem ouvir? Pronto. De resto, todos agora podem lançar mão dos álibis que a joelhada de Zúñiga deu aos explicadores de encomenda, fosse para a vitória, seja para a derrota da canarinha.
O Brasil perdeu a Copa? Viva o Brasil! Há uma realidade que não comporta nenhuma outra – porque ela mesma não se furta – e se impõe, escancarada, no lugar daquele delírio coletivo que ora se debate para não ceder ao sentimento de que o brasileiro não é um povo vencido mas, em parte, vítima da ilusão com que continuará – ainda – empurrando o jogo da realidade com a barriga.
Com a barriga e, de resto, com o corpo todo, para daqui a mais quatro anos, a fantasia, o sonho do “país de chuteiras”, país “campeão”. Campeão de que mesmo? Onde? Para quem?
O escritor Eça de Queiroz disse certa feita que quanto mais a sociedade é culta, mais a sua face é triste. Não sei por que, mas estou feliz. Acho que emburreci.
É o que tem pra hoje!
Bis bald!

domingo, 29 de junho de 2014

Professor perde tempo demais com bagunça no Brasil

Um em cada 5 minutos de aulas no país é perdido tentando pôr ordem na indisciplina dos alunos, mostra pesquisa da OCDE

Comparando o Brasil com as nações ricas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os professores brasileiros trabalham mais: 25 horas semanais, contra 19 na média de outros 33 países. Mas quando se analisa como este tempo é gasto, a coisa muda de figura.
Os docentes aqui perdem 20% do tempo em aula para manter a ordem, ou seja, lutando contra a indisciplina e pedindo calma.
Como outros 12% são gastos em trabalhos administrativos – tais como o preenchimento de chamadas – chega-se ao tempo de aula que é traduzido em ensino: 67% (não 68%, como se poderia supor, porque a OCDE arredonda as porcentagens).
A média de tempo efetivo em sala de aula nos países da organização é 79%.
Na Finlândia – um exemplo batido, mas sempre lembrado, de excelência educacional - o tempo chega a 81%.
Na Coreia do Sul, outro país de altos resultados em exames internacionais, fica em 76,9%.
Os resultados fazem parte da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), divulgada hoje pela OCDE.
Muitos especialistas em educação batem na tecla há anos de que é possível conseguir melhores resultados no país apenas tentando utilizar de forma mais sábia o tempo já disponível em sala de aula. 
A Talis ouviu 106 mil professores dos anos finais do ensino fundamental em todo o mundo. No Brasil, foram 14,2 mil, de 1.070 escolas.
Comento:
Creio que os resultados só não são piores, ainda, graças à ação de alguns professores que não curvam o joelho à pegagogia do lascado que contamina a educação à brasileira com vitimismos e paulo-freirizações as mais rasteiras. Uma gororoba pedagógica que mistura socioconstrutivismo, cidadania e ética com temas transversais, socialização e, quiçá, talvez, perhaps, may be, até alguma reflexãozinha – esta, claro, desde que seja na base da “conscientização” que só reproduza o senso doutrinário. De preferência, aliás, que a educação seja “para o futuro”, não para hoje. Nisso, inclusive, o país melhorou tanto que continua nos últimos lugares nos rankings internacionais da Educação (confira).
O resultado?  Uma escola rebaixada ao aluno, sem autonomia, gestão nem respaldo social para elevá-lo – o aluno – a um nível razoável de Educação e Cultura. Some-se a isso uma preguiça macunaímica e a resistência, o repúdio à autoridade e à hierarquia– que já vêm [da falta] de berço e o fato de que pensar dói, dá trabalho, leva tempo uma mentalidade bem formada. O professor tem que se esgoelar e se esfalfar pela atenção do aluno em meio à anomia da sala de aula, onde a permissividade é tanta. Completa inversão! Qualé? Bom mesmo é ostentação, claro, na base de bonés, tênis e roupas de grife pirateados e gadgets contrabandeados, tudo com direito a pose de bacana no Face.  
Na ponta, ainda tem progressão automática, cota e bônus para conduzir um enorme contingente de analfabetos funcionais (aquela gente que, além do próprio umbigo, não sabe distinguir entre fato e opinião, mesmo desenhando) para a universidade. Então o ciclo se fecha. Ali, na universidade, formam uma massa política e ideologicamente manobrável e todo o processo retroalimenta a cadeia das inépcias sob o rótulo de Educação Nacional. Assim, privilegia-se a estultice em detrimento do mérito, o coitadismo e a desmotivação dão a tônica e os alunos, que pelo menos essa incongruência sabem reconhecer (e isso eles sabem!), dela se beneficiam pois, ao fim, serão condecorados com o diploma. Um pedaço de papel que, no Brasil, vale muito mais do que o conhecimento.
Todos nós fingimos – nisso somos bons – que não sabemos de tudo isso. Afinal, Educação é aquele negócio que só é bom no currículo dos outros.
Ah, sim: a culpa – ou a responsabilidade, como queira – não é só de Governo, não é mesmo? Este é apenas e tão somente o que mais se aproveita da maçaroca toda. Até porque, convenhamos, analfabetismo funcional & analfabetismo político caminham a par da estultice na via de mão dupla que elege, mantém, aplaude e defende oportunismos, assistencialismos e cafajestagens entronizados neste, eternamente, País “do” Futuro.

sábado, 14 de junho de 2014

A abertura que o Brasil merece

                                                                                                          Charge de Sponholz

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A certeza da insegurança

É inegável o crescimento do Brasil na última década. Só não vê quem não quer ouvir. A taxa de homicídios já bateu recorde: só em 2012 foram 56.337 assassinatos, segundo o Mapa da Violência, que compila os dados. É mais do que o número de vítimas no conflito da Chechênia, no período de 1994 a 1996. Leia mais, aqui.
A ONG americana Social Progress Imperative também mantém um ranking da qualidade de vida em 132 países, o Índice de Progresso Social. Entre os principais aspectos analisados, está a segurança pessoal. O Brasil aparece como o 11° país mais inseguro do mundo. Fica atrás de países como Angola e Paquistão. Confira, aqui.
Se isso é preocupante? Aí, já é com você! Creio apenas que os números são parte de um todo, onde se inclui um inegável desequilíbrio moral e uma estarrecedora tolerância com a criminalidade que, no Brasil do PT se traduz, por [péssimo] exemplo, na cumplicidade de “fazer vaquinha” para pagar as multas judiciais de mensaleiros presos. Aliás, julgados e condenados por juízes cuja indicação para a Suprema Corte de Justiça do país partiu de Lula e, mais recentemente, de Dilma Rousseff.
Ah, sim: isso nada diz sobre a criminalidade no país da Copa do Mundo Perdido de 2014? É vero. Também não diz ao oposto disso. Apenas expõe a certeza de que, pelo menos nos quesitos violência e segurança, progredimos bastante. Para pior.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Mais que mil palavras

“Em muitos países, a efígie ou imagem da República é a personificação do regime republicano  e do próprio Estado onde esse regime vigora.”

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O despertar dos artistas

Por Branca Nunes
Adélia Prado no programa Roda Vida
 “Tinham três coisas que a gente fazia quando era garoto que a gente mais se amarrava: andar de skate, ouvir Rock n’Roll e falar mal do governo”, anunciou Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, durante a apresentação do grupo no Rock in Rio 2011. “Na verdade, os anos foram passando e a gente descobriu que gostava de falar mal de qualquer governo. Fosse ele de esquerda ou de direita. Todos são iguais. Essa aqui é para as oligarquias que ainda parecem dominar o Brasil. Essa aqui é para o Congresso brasileiro, em especial para o José Sarney”.
A fala que precedeu a música Que país é esse?  não foi apenas o estopim para o grito contido na garganta de milhões de brasileiros. Ela marcou também o despertar de artistas e intelectuais diante daquela que é, segundo definiu Adélia Prado no programa Roda Vida, uma das épocas mais cinzentas da história brasileira. “Nós vivemos uma ditadura disfarçada”, lamentou a poeta. “Os poderes da República estão como comida envenenada”.
Em 2013 foi a vez de Lobão, massacrado pela esquerda depois do lançamento do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca. “Temos uma presidenta que é uma anta, que fala mal, que pensa mal”, desabafou o cantor. “Nós temos que sair desse atoleiro”.
A mesma raiva despejada sobre Lobão foi desferida na última semana contra Roger, vocalista do Ultraje a Rigor, e Ney Matogrosso. Ney entrou no rol dos inimigos da pátria depois de fazer, durante uma entrevista à emissora portuguesa RTP, a pergunta que se fazem todos os brasileiros decentes: “Se existia tanto dinheiro disponível para gastar na Copa, por que não resolver os problemas do nosso país?”.
Criticado pelo twitter, Roger contra-atacou ao vivo, durante um show no último dia 10: “Fui atacado porque, segundo a lógica distorcida desses cretinos, eu estaria aceitando dinheiro de um governo que não apoio para tocar hoje aqui, e que isso não seria coerente. Pois bem, quem está me pagando hoje não é um partido que se considera dono do Brasil”. E terminou com a constatação que tanto os cidadãos quanto o governo – um por ignorância, outro por esperteza – parecem esquecer: “Quem está me pagando é o povo, do qual eu faço parte”.
Leia o texto na íntegra e confira os vídeos, aqui, no blogue de Augusto Nunes.

Olhe onde pisa!

As tampas de bueiro no Japão são emblemáticas da força da Cultura para refinar o sentido de uma civilização. São obras de arte com motivos que variam conforme o lugar.  Cidades e distritos têm seus desenhos próprios e as criações são incentivadas pelas autoridades locais. Tudo muito diferente das crateras podres ou das pichações grotescas vistas por todo o Brasil – e estas ainda são “interpretadas” como um código, uma “nova gramática urbana” por parte de debilóides ‘politicamente corretos’ que veem naqueles rabiscos esquizofrênicos a expressão de uma identidade.
No caso brasileiro são, sim, a identidade da carência de Educação e Cultura, do atraso e do desrespeito pelo patrimônio público e privado.
No Japão, a arte não fica restrita a museus e galerias. Tem espaço na cidade e visibilidade nas ruas. Os primeiros bueiros decorados surgiram em 1950, como forma de democratização do espaço público.
Espalhados pelo país, retratam ícones da cultura nipônica, esculpidos no relevo do ferro e pintados com pigmentos e resinas extraídos de árvores. São peças sintomáticas do fato de que, mais do que Educação, a Cultura é o imperioso reforço do status de evolução e de desenvolvimento de uma sociedade, tanto na sua complexidade quanto no detalhe.
Será que, um dia, pisaremos esse – ao menos semelhante chão? Olha para o céu, Frederico!



terça-feira, 20 de maio de 2014

A pedagogia e a arte de transformar o nada em carisma

Mais de 8,5 milhões de alunos brasileiros estão atrasados pelo menos dois anos na escola. Os dados são do Censo da Educação Básica 2013 e mostram que 6,1 milhões de estudantes do ensino fundamental e 2,4 milhões do ensino médio não estão na série ideal. Nessas duas etapas de ensino o país tinha 37,3 milhões de matrículas em 2013. São crianças e adolescentes que reprovaram, abandonaram a escola ou já foram alfabetizados com atraso. (Leia mais, aqui.)
A taxa de analfabetismo também cresceu: entre 2011 e 2012, houve um aumento de 300 mil pessoas analfabetas, com 15 anos ou mais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (Confira.)
Para dimensionar a magnitude desses dados, considere que, no Brasil, 75% das pessoas entre 15 e 64 anos não conseguem ler, escrever e calcular plenamente. Esse número inclui os 68% considerados analfabetos funcionais e os 7% considerados analfabetos absolutos, sem qualquer habilidade de leitura ou escrita. Apenas 1 entre 4 brasileiros (isto é, 25% da população) consegue ler, escrever e utilizar essas habilidades para continuar aprendendo. (Veja, aqui.)
Lembre-se: essa gente vota. Vota, elege e reelege. Lembre-se mais: analfabetismo (absoluto e funcional) e analfabetismo político caminham pari passu ao atraso nesse país viciado na filosofia do ‘quanto pior, melhor’, na pedagogia do oprimido, na gramática do ‘tamus lascado’. Pedagogia gazeteira, que reproduz, interdisciplinarmente, na escola muito risonha e nada franca, o vitimismo, o coitadismo em detrimento do potencial de aprendizagem, da competência, do mérito, do lé com cré. Espie, logo abaixo desse artigo, que não falta mesmo gente disposta a rebaixar Machado de Assis ao leitor(?!) ao invés de se empenhar para formar e elevar leitores à compreensão de Machado.    
Solução? Salvo uma bomba formidável ou um milagre em contrário, que tal a eliminação do Ensino “Médium”? A reboque das exceções, ele já funciona assim meio como uma espécie de limbo para a canalização ou a manifestação sobrenatural do “espírito de estudante” que não pertence ao corpo de milhões de aluninhos e inhas. Mas que são catapultados para a universidade, o mercado, a vida.
Então, a coisa ficaria simples assim: do ensino fundamental direto para a faculdade, com aprovação automática, sem bônus, sem cota, sem prova, sem cursinho, sem vestibular, sem Enem ou porteira – tudo carimbado com o dedão porque, afinal, um pouco de burocracia faz parte, né? Que tal? Pronto! Estariam eliminados os problemas e os dilemas, pondo-se um fim às discussões, aos gastos com Educação e, mais, à ingratidão dessa gente inzoneira que paga impostos suecos para receber em troca desserviços subsaarianos por culpa e obra da imperial desigualdade sócio-econômica, do capitalismo mercantilista, dos golpes de saliva, das mídias malandras (aliás, as supremas responsáveis, na dozena lulopetista, por toda a esculhambação que acontece no Brasil, não é verdade?), das influências dos astros, do ovo que a marreca não botou.  
E assim se faz a arte, a mágica compulsória de transformar o vento em nada, o nada em voto e o voto nas nulidades (des)governantes e (des)governadas deste país onde a incompetência não é crime, não é vergonha, não é ofensa, é carisma...

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Até onde você iria por um sonho? Ou: ele viu e conta aquilo que milhões de cegos voluntários se recusam a ouvir

Até aonde você iria por um sonho? O jornalista dinamarquês Mikkel Jensen desejava cobrir a Copa do Mundo no Brasil, o "país do futebol". Preparou-se bem: estudou português, pesquisou sobre o país e veio para cá em setembro de 2013.
Mikkel Jensen: ele viu
o que muitos fingem não ver (T.Ceará)
Em meio a uma onda de críticas e análises de fora sobre os problemas sociais do Brasil, Mikkel quis registrar a realidade daqui e divulgar depois. A missão era, além de mostrar o lado belo, conhecer o ruim do país que sediará a Copa do Mundo. Tendo em vista isso, entrevistou várias crianças que moram em comunidades ou nas ruas.
Em março de 2014, ele veio para Fortaleza, a cidade-sede mais violenta, com base em estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao conhecer a realidade local, o jornalista se decepcionou. "Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo – e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar".
Descobriu a corrupção, a remoção de pessoas, o fechamento de projetos sociais nas comunidades. E ainda fez acusações sérias. "Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em área com muitos turistas. Por quê? Para deixar a cidade limpa para os gringos e a imprensa internacional? Por causa de mim?".
Desistiu das belas praias e do sol o ano inteiro. Voltou para a Dinamarca na segunda-feira (14). O medo foi notícia em seu país, tendo grande repercussão. Acredita que somente com educação e respeito é que as coisas vão mudar. "Assim, talvez, em 20 anos [os ricos] não precisem colocar vidro à prova de balas nas janelas". E para Fortaleza, ou para o Brasil, talvez não volte mais. Quem sabe?
Leia na íntegra o depoimento, aqui, na reportagem de Hayanne Narlla, da Tribuna do Ceará.

sábado, 12 de abril de 2014

Olha quem está falando

Assista ao vídeo:
Conhece o excelência aí acima? É o deputado José Guimarães, líder do PT no Congresso. Não se lembra?
Ele é irmão de José Genoíno, réu condenado do mensalão que cumpre pena no presídio da Papuda. Ficou conhecido quando seu assessor foi flagrado no aeroporto de São Paulo, em 2005, com 100 mil dólares mocados na cueca.
Agora, tão distinta figura vem a público dizer que, após a eleição (presunçoso de que Dilma Rousseff está reeleita, note!), o PT decretará a censura à imprensa, com o apelido de “controle social da mídia”.
E precisa? A imprensa brasileira, com meritórias exceções, já está mais do que rarefeita e pianinha de joelhos nesse tempo trevoso do comunismo que pesa sobre o país, a par da rede de blogues sabujos financiados com dinheiro público. É uma mídia acéfala, anelídea, sanguessuga. Até porque se estimular as gentes desse país a pensar, já viu, vai rolar muita cabeça oca, mas coroada, e muito protista aí vai morrer de fome, afogado na baba da própria idiotia.
O próprio Lula não se cansa, renitente e falacioso, de espalhar que a mídia é culpada não só pelo mensalão como, aliás, de tudo de podre neste país, como se fosse o sintoma a causa da doença.
Como toda censura deixa de fora um rabo de verdade que esse PT por mais que tente não consegue esconder, então, vai que haja mais rabos cuecas espalhadas por aí, não é mesmo?
Ao invés de se ocupar com censura, essa galera tinha era de fazer auto-centura. Cuidar ligeirinho de faxinar o poleiro de urubu da ingovernança em que transformou o Brasil. Preocupar-se com isso e, mais, com o camburão que, de repente, pode bater à porta.