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sexta-feira, 13 de junho de 2014

A certeza da insegurança

É inegável o crescimento do Brasil na última década. Só não vê quem não quer ouvir. A taxa de homicídios já bateu recorde: só em 2012 foram 56.337 assassinatos, segundo o Mapa da Violência, que compila os dados. É mais do que o número de vítimas no conflito da Chechênia, no período de 1994 a 1996. Leia mais, aqui.
A ONG americana Social Progress Imperative também mantém um ranking da qualidade de vida em 132 países, o Índice de Progresso Social. Entre os principais aspectos analisados, está a segurança pessoal. O Brasil aparece como o 11° país mais inseguro do mundo. Fica atrás de países como Angola e Paquistão. Confira, aqui.
Se isso é preocupante? Aí, já é com você! Creio apenas que os números são parte de um todo, onde se inclui um inegável desequilíbrio moral e uma estarrecedora tolerância com a criminalidade que, no Brasil do PT se traduz, por [péssimo] exemplo, na cumplicidade de “fazer vaquinha” para pagar as multas judiciais de mensaleiros presos. Aliás, julgados e condenados por juízes cuja indicação para a Suprema Corte de Justiça do país partiu de Lula e, mais recentemente, de Dilma Rousseff.
Ah, sim: isso nada diz sobre a criminalidade no país da Copa do Mundo Perdido de 2014? É vero. Também não diz ao oposto disso. Apenas expõe a certeza de que, pelo menos nos quesitos violência e segurança, progredimos bastante. Para pior.

domingo, 25 de maio de 2014

Os babacas do metrô

Houve um tempo em que esperávamos a Lua entrar na sétima casa, Júpiter se alinhar com Marte e a paz reinar no planeta. Era a aurora da era de Aquarius. Aquarius, Aquarius. As mulheres arrancando os sutiãs, os homens com calça boca de sino, cavalos da polícia dançando, tudo porque a Lua tinha, finalmente, entrado na sétima casa.
Fernando Gabeira, jornalista, deputado.
Participou da luta armada, do sequestro
do embaixador Charles Elbrick (1969).
É um dos raros pensantes, hoje, dos que
dá nome aos bois, à vaca, aos bezerros e aos carrapatos,
desmistificando a ação das guerrilhas de esquerda em passado remoto.
Nossas esperanças hoje são mais prosaicas. Em vez de Júpiter se alinhar com Marte, contemplamos o alinhamento da Copa do Mundo com as eleições no Brasil. E os nervos estão mais sensíveis. Na cúpula, governo e Fifa se estranham. Para Jérôme Valcke, o contato com as autoridades brasileiras foi um inferno. Para Dilma Rousseff, Valcke e Joseph Blatter são um peso.
É o tipo de divórcio que não se resolve com as cartomantes que trazem de volta a pessoa amada em três dias. Eles se distanciam num mero movimento defensivo. Quem será o culpado se as coisas não derem certo?
Dilma, com a Copa das Copas, quer enfrentar a eleição das eleições e põe toda a sua esperança nos pés dos atletas. A Fifa não gostaria de entrar numa gelada no Brasil, mesmo porque o Qatar a espera com calor de 52 graus. Seriam dois fracassos seguidos, pois Blatter já admitiu que o Qatar foi um erro.
Essa conjunção histórica está levando a uma certa irritação da cúpula conosco, que não inventamos essa história. Blatter declarou que os brasileiros precisavam trabalhar mais porque as promessas de Lula não foram cumpridas. Nada mais equivocado do que essa visão colonial. Se Blatter caísse no Brasil e vivesse nossa vida cotidiana, constataria que trabalhamos muito mais que ele mesmo, um cartola internacional. Desde quando o objetivo do nosso trabalho é cumprir as promessas de Lula?
A tática de Lula é diferente da de Blatter. Lula não critica nossa insuficiência no trabalho, mas nossas aspirações de Primeiro Mundo. Ele, que vive espantando o complexo de vira-latas, apossando-se politicamente de uma frase de Nelson Rodrigues, nos convida agora a reviver o espírito que tanto condena: "Querer vir de metrô ao estádio é uma babaquice. Viremos a pé, de jumento...". Para Blatter, precisamos trabalhar mais; para Lula, desejar menos. Só assim nos transfiguramos na plateia perfeita para o espetáculo milionário.
Lula começou sua carreira falando em aspirações dos mais pobres, hoje prega o conformismo. Não é por acaso que o PT faz anúncios inspirados no medo de o adversário vencer as eleições. Não há mais esperança, apenas um apego desesperado aos carguinhos, à estrutura do Estado, aos grandes negócios.
No passado exibi um filme em que Lula e Sérgio Cabral dialogam com um garoto do Complexo da Maré. Eles entram em discussão, Cabral ofende o jovem e Lula diz ao garoto que gostava de jogar tênis: "Tênis é um esporte de burguês". Na cabeça de Lula, o menino tinha de se dedicar ao futebol. Outras modalidades seriam reservadas aos ricos. Se pudesse livrar-se de seus aspones e andar um pouco até a Baixada Fluminense, veria um campo de golfe em Japeri onde atuam dezenas de garotos pobres da região. Dali saem alguns dos melhores jogadores de golfe do Brasil.
Lá por cima, pela cúpula, muito nervosismo, uma certa impaciência com um povo que não se ajusta ao espetáculo. Estão mais ansiosos que os próprios jogadores para que o juiz dê o apito inicial. Nesse momento, acreditam, o Brasil cai num clima de festa. Com a vitória da seleção o Brasil entraria num alto-astral e os carguinhos, os grandes negócios, tudo ficaria como antes.
Li nos jornais algumas alusões à Copa de 70, a que assisti na Argélia. De fato, o PT vai se agarrar à seleção como o governo Médici o fez naquela época.
Mas já se passaram tantos anos, o Brasil mudou tanto, e o alinhamento das eleições com a Copa, organizada pelo País, tudo isso traz novidades que a experiência de 1970 não abarca.
Estamos entrando num momento inédito. Dilma é vaiada em quase todo lugar por onde passa. Lula está visivelmente ressentido com o povo, que não o celebra pela realização da Copa; que é babaca a ponto de desejar ir de metrô ao estádio.
Não importa qual deles venha. "Que vengan los toros", como dizem os espanhóis. Não importa quantos gols nosso ataque faça - e espero que sejam muitos -, a glória do futebol não obscurece mais nossas misérias políticas e sociais. Se os idealizadores da Copa no Brasil fizessem uma rápida pesquisa, veriam que o sonho de projetar a imagem de um país pujante e pacífico está ardendo nas fogueiras das ruas, na violência das torcidas, no caos cotidiano nas metrópoles, nos relatos sobre a sujeira da Baía de Guanabara.
O governo do PT e aliados não poderá esconder-se atrás do futebol, porque eles já foram descobertos antes de a Copa começar. A Copa do Mundo não sufoca as denúncias de corrupção porque a própria Copa está imersa nela. A Fifa, com Jérôme Valcke sendo acusado de venda irregular de jogadores, não ajuda. Até o técnico Felipão caiu nas redes do fisco português.
O sonho de uma plateia ideal para a Copa, milhares de pessoas com bandeirinhas, de um eleitorado ideal que vota sempre nos mesmos picaretas, de torcedores ideais que vão a pé ou de jumento para estádios bilionários, esse sonho entra em jogo também. Assim como aquele de projetar a imagem positiva do Brasil, o sonho de uma plateia ideal para a Copa foi por terra. Nem todos cantam abraçados diante das câmeras.
Começou um jogo delicado em que a Copa do Mundo é apenas uma etapa. Valcke vai viver o inferno nos 52 graus do Qatar e Dilma enfrentará a eleição das eleições, a qual precisa vencer, mas não para de cair.
A Lua entrou na sétima casa e não veio o paraíso. As eleições se alinham com a Copa, como Júpiter e Marte, e o Brasil, num desses momentos de verdade decisivos para sair dessa maré. Se estão nervosos agora, imagino quando as coisas esquentarem.
Os babacas que querem ir ao estádio do metrô podem querer também um governo limpo, um combate real à corrupção, serviços públicos que funcionem.
Babacas, felizmente, são imprevisíveis.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O despertar dos artistas

Por Branca Nunes
Adélia Prado no programa Roda Vida
 “Tinham três coisas que a gente fazia quando era garoto que a gente mais se amarrava: andar de skate, ouvir Rock n’Roll e falar mal do governo”, anunciou Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, durante a apresentação do grupo no Rock in Rio 2011. “Na verdade, os anos foram passando e a gente descobriu que gostava de falar mal de qualquer governo. Fosse ele de esquerda ou de direita. Todos são iguais. Essa aqui é para as oligarquias que ainda parecem dominar o Brasil. Essa aqui é para o Congresso brasileiro, em especial para o José Sarney”.
A fala que precedeu a música Que país é esse?  não foi apenas o estopim para o grito contido na garganta de milhões de brasileiros. Ela marcou também o despertar de artistas e intelectuais diante daquela que é, segundo definiu Adélia Prado no programa Roda Vida, uma das épocas mais cinzentas da história brasileira. “Nós vivemos uma ditadura disfarçada”, lamentou a poeta. “Os poderes da República estão como comida envenenada”.
Em 2013 foi a vez de Lobão, massacrado pela esquerda depois do lançamento do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca. “Temos uma presidenta que é uma anta, que fala mal, que pensa mal”, desabafou o cantor. “Nós temos que sair desse atoleiro”.
A mesma raiva despejada sobre Lobão foi desferida na última semana contra Roger, vocalista do Ultraje a Rigor, e Ney Matogrosso. Ney entrou no rol dos inimigos da pátria depois de fazer, durante uma entrevista à emissora portuguesa RTP, a pergunta que se fazem todos os brasileiros decentes: “Se existia tanto dinheiro disponível para gastar na Copa, por que não resolver os problemas do nosso país?”.
Criticado pelo twitter, Roger contra-atacou ao vivo, durante um show no último dia 10: “Fui atacado porque, segundo a lógica distorcida desses cretinos, eu estaria aceitando dinheiro de um governo que não apoio para tocar hoje aqui, e que isso não seria coerente. Pois bem, quem está me pagando hoje não é um partido que se considera dono do Brasil”. E terminou com a constatação que tanto os cidadãos quanto o governo – um por ignorância, outro por esperteza – parecem esquecer: “Quem está me pagando é o povo, do qual eu faço parte”.
Leia o texto na íntegra e confira os vídeos, aqui, no blogue de Augusto Nunes.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quem ficou rico com os prejuízos da Petrobras?

José Nêumanne*  (para o Jornal Estadão)
A 36 dias da abertura da Copa do Mundo, o futebol vai se tornando o assunto predominante no Brasil, embora as pesquisas de opinião pública sobre a disputa da Presidência continuem em voga. Então, talvez não seja de mau alvitre recorrer a lúcidos ensinamentos do futebol para aplicar na campanha eleitoral. Este é o caso da máxima dos treinadores que mais ganham campeonatos seguindo uma lição simples: "Em time que está ganhando não se mexe". Mas, com a importância cada vez maior dada ao marketing político nas democracias ocidentais, convém não esquecer o lema que está por trás de toda publicidade, seja comercial, seja religiosa, seja política, atribuído a Joseph Goebbels, o mago da propaganda do nazismo: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade".
Candidata obstinada à própria reeleição, a presidente Dilma Rousseff pode até não ter pensado nas duas sentenças, mas, na certa, as aplicou quando repetiu o mantra com que seu antecessor, padrinho e agora pedra no sapato Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Geraldo Alckmin, em 2006, e ela própria adotou para manter José Serra à distância, em 2010. Há oito anos, aparentemente debilitado pela denúncia do mensalão, o ex-presidente foi ajudado por uma campanha subliminar insinuando que os tucanos privatizariam a Petrobrás. O efeito deletério da patranha em seu desempenho fez o oponente vestir uma jaqueta com logomarcas de estatais, entre elas a Petrobrás. Em vão: teve menos votos no segundo do que no primeiro turno e deu-se a reeleição. Há quatro anos, a falácia levou Serra às cordas e o poste de Lula venceu.
A decisão do eleitor diante da urna depende de muitas motivações e as vitórias petistas não podem ser atribuídas apenas à mentira que, de tão repetida, passou a ser dada como verdadeira. Mas, por via das dúvidas, em Minas, berço dela mesma e de seu maior empecilho à permanência no poder, Aécio Neves, a presidente assumiu como sua a profecia de que a oposição privatizará a Petrobrás ou trocará seu nome.
O problema dela e do Partido dos Trabalhadores (PT) é que o contexto mudou significativamente nesta eleição. Nas duas disputas anteriores, o salário-família para os mais pobres e a bonança econômica para os abonados amplificavam bastante a fé popular na pregação governista. E a Petrobrás propagava ótimas notícias e, consequentemente, excelentes razões para o eleitor não permitir alterações profundas na gestão da maior empresa do Brasil. A fantasia dos Emirados Árabes do Brasil tinha prefixo, hífen e nome: pré-sal - o sonho de mil e uma noites, que Sheherazade não tinha tido a ideia de contar ao rei persa Shariar, de um país disposto a gastar petrodólares em educação e saúde para o povo.
Sete anos após a revelação do sonho, o petróleo extraído da camada do pré-sal no fundo do Atlântico brasileiro continua sendo uma miragem. E, 60 anos depois do delírio de "o petróleo é nosso", a pérola mais preciosa do colar da rainha das estatais, com sua fortuna enterrada em subsolo brasileiro, chafurda na lama de chiqueiros ocupados por figurões do PT e seus aliados, suspeitos de terem dilapidado um patrimônio bilionário em "nebulosas transações". E pior: a pérola jogada aos porcos se desvalorizou vertiginosamente. No palanque em que tenta recuperar o prestígio perdido nas pesquisas de intenção de votos, a "gerentona" de Lula se apega ao truísmo de que a empresa vale hoje mais do que valia no tempo de Fernando Henrique. Este desocupou o trono há mais de 11 anos e continua sendo o parâmetro universal do PT.
Essa comparação sem lógica feita pela candidata não elimina, porém, duas constatações assustadoras de fiasco: em seu mandato, a empresa teve o patrimônio reduzido à metade e desabou do 12.º para o 120.º lugar no ranking do Financial Times. Ou seja: a contabilidade da petroleira foi ao fundo do mar, até o pré-sal, mas não extraiu petróleo para vir à tona.
A princípio, pensava-se que a gigante estatal seria vítima apenas da ingerência política que sangrou seus cofres mantendo o preço de derivados abaixo do custo para evitar a má influência da inflação na medição da preferência eleitoral pela chefe do governo em outubro que vem. Essa má gestão causou, segundo O Globo, um rombo de R$ 13 bilhões em outra estatal, a Eletrobrás, para permitir que a candidata à reeleição baixasse demagogicamente o preço da tarifa de luz.
Mas este não foi o único "malfeito", para usar o termo favorito da beneficiária número um do aparelhamento das empresas públicas pelo PT. A Polícia Federal (PF), que, pelo visto, não foi totalmente submetida ao aparelhamento amplo, geral e irrestrito dos companheiros, constatou na Operação Lava Jato que houve bandalheira. Ao que se saiba até hoje, a desventura em Pasadena, Texas, custou ao cidadão brasileiro, proprietário da Petrobrás, um prejuízo de US$ 2 bilhões. Dez vezes este "troco de pinga" sumiram na obra faraônica da Refinaria Abreu e Lima, bancada pelo público para agradar ao tirânico compadre venezuelano Hugo Chávez.
Governo e oposição acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para resolver o impasse que adia a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o tema: esta exige uma comissão mista e aquele não abre mão de circunscrevê-la ao Senado para controlá-la. A presidente da petroleira, Graça Foster, oscila entre o "mau negócio", pondo o mico nas costas do antecessor, José Sérgio Gabrielli, e o "bom negócio à época", quando lembrada que a empresa é gerida por petistas e aliados há 12 anos. Investigar será o único jeito de saber quem embolsou o lucro, além do barão belga Frère, da Astra Oil. As compras de altíssimo risco das refinarias de Pasadena e Okinawa, os custos estratosféricos da de Abreu e Lima e as suspeitas associações na operação de três termoelétricas são a parte exposta do iceberg. Quem ficou podre de rico com o rombo dos prejuízos que a Petrobrás teve – eis a questão submersa.
(*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor.)

sábado, 12 de abril de 2014

Olha quem está falando

Assista ao vídeo:
Conhece o excelência aí acima? É o deputado José Guimarães, líder do PT no Congresso. Não se lembra?
Ele é irmão de José Genoíno, réu condenado do mensalão que cumpre pena no presídio da Papuda. Ficou conhecido quando seu assessor foi flagrado no aeroporto de São Paulo, em 2005, com 100 mil dólares mocados na cueca.
Agora, tão distinta figura vem a público dizer que, após a eleição (presunçoso de que Dilma Rousseff está reeleita, note!), o PT decretará a censura à imprensa, com o apelido de “controle social da mídia”.
E precisa? A imprensa brasileira, com meritórias exceções, já está mais do que rarefeita e pianinha de joelhos nesse tempo trevoso do comunismo que pesa sobre o país, a par da rede de blogues sabujos financiados com dinheiro público. É uma mídia acéfala, anelídea, sanguessuga. Até porque se estimular as gentes desse país a pensar, já viu, vai rolar muita cabeça oca, mas coroada, e muito protista aí vai morrer de fome, afogado na baba da própria idiotia.
O próprio Lula não se cansa, renitente e falacioso, de espalhar que a mídia é culpada não só pelo mensalão como, aliás, de tudo de podre neste país, como se fosse o sintoma a causa da doença.
Como toda censura deixa de fora um rabo de verdade que esse PT por mais que tente não consegue esconder, então, vai que haja mais rabos cuecas espalhadas por aí, não é mesmo?
Ao invés de se ocupar com censura, essa galera tinha era de fazer auto-centura. Cuidar ligeirinho de faxinar o poleiro de urubu da ingovernança em que transformou o Brasil. Preocupar-se com isso e, mais, com o camburão que, de repente, pode bater à porta.

quinta-feira, 27 de março de 2014

O agá é forte

Alguém aí preocupado só porque a PTrobras, sob mando do gerento Lula e da gerenta Dilma Rousseff,  pagou 1,7 bilhão de dólares por uma refinaria em Pasadena (Texas) que foi avaliada em 42,5 milhões de dólares?...
Bobagem, caraminguá, coisica de nada... É dinheiro equivalente a só 8 dias de recolhimento de impostos pagos pelos brasileiros em 1 ano de ralação... Com essa merreca dava para construir aí umas 35 mil casinhas populares, se muito...
E tem outra refinaria no Japão, a Nansei, comprada pela PTrobras ao preço de 71 milhões de dólares, reformada ao custo de 200 milhões de dólares? Depois dos gastos, a PTrobras quis vendê-la. Consta que até agora não houve oferta superior a 150 milhões de dólares... Isso é só coco de mosquito para um país tão rico...
E aqueloutra refinaria, a Abreu e Lima? A que seria construída em Pernambuco, em sociedade entre o defunto ditador Hugo Chávez e o então presidentro Lula? O custo da obra, inicialmente, era de 2,5 bilhões de dólares. O Brasil investiria 40% e a PDVSA, a companhia Petróleo da Venezuela S/A, 60%. Não é que a tal PDVSA não gastou um puto enquanto a PTrobras já despejou uma fortuna e o custo da obra vai a quase 20 bilhões? A tal refinaria deveria começar a produzir em 2011, mas está longe de ficar pronta... Nadicas, neruscas...
E mais as outras refinarias expropriadas no grito pelo mui amigo (de Lula) Evo Morales, insuflado pelo beiçola de Caracas, em 2006?...
Não fosse tanta bagatela, a gente até pensava que essas refinarias são usinas de dinheiro... Tutu, bagarote, milho que não veio parar no meu bolso e nem no seu aí, eu acho, mas dele saiu na forma de impostos...
O agá é forte: já tem diretor da empresa demitido, tem diretor foragido, tem passarinho e laranja explicando a circulatura do quadrado... O superfaturamento das transações está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF)... Também foi aberta uma Comissão de Parlamentar de Inquérito no Senado para apurar o patuá petrolífero...
Tudo, vê se pode, por conta dessa mixaria, de mais esse angu que não vai virar pizza... Nem eu-você-nós não vamos pagar o chorume... A PTrobras periga até ficar mais nobre...
Então, vai você aí se preocupar com isso? Qualé?... É só carcanhol, pilim, faz-me rir, dindim, grana, gaita, arame, verdinha, money, larjan, dinheiro público enterrado que nem titica de gato por esses Grandes, Inigualáveis, Magnânimos Benfeitores da Humanidade que governam o Brasil S/A... 
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Só isso...

Ao livrar os mensaleiros do PT do crime de formação de quadrilha, a turma do Supremo Tribunal Federal-STF que votou a favor dos colegas – Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Carmen Lúcia, Dias Toffoli, Teori Zavascki e Roberto Barroso – deixou um recado: os distintos não são ladrões, viu, gente? Elles continuam presos só por causa do crime de corrupção ativa, mas não são ladrões.
(A)parece que, no entendimento daqueles ministros, para formar uma quadrilha seria preciso firmar um contrato em cartório, do tipo sociedade anônima, com número de pessoa coletiva e demais formalidades do estatuto de uma empresa. Que nem todo bandido faz, passando recibo e tudo, antes de juntar o bando.
Então, anotem aí: elles não são ladrões, são só corruptos.
Não são ladrões.
São só corruptos.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Justiça com P

A farsa do julgamento do mensalão deixou algo positivo (isto é, concreto, real): serviu para escancarar de vez o fato de que a Justitia à brasileira só consegue alcançar preto, pobre, puta e pacóvio. De um só voto golpe, liquidou com aquele discursinho de “igualdade perante a lei” e decretou que só existem dois tipos de criminosos no Brasil: os que pegam e os que não pegam cadeia. 
Agora, pelo menos, há um paradigma jurídico no qual até o mais absoluto dos analfabetos políticos poderá se espelhar quando se trata da matéria para tirar o seu da reta.
Ou alguém aí apostava que a quinta categoria dos pês, a dos políticos salafrários, já não estava mais do que garantida pela máxima do “tudo pode ser pago e deve ser pago”, tão proclamada pela Justitia convenientemente ceguinha, apesar do esforço – isolado – de uns juízes?
Como corrupto não passa nota promissória (daí a descarada alegação de “falta de provas”) nem é possível pôr na cadeia os cúmplices-eleitores da corja toda, não adianta apelar para uma outra categoria, a de pê da vida. Essa aí, ó, segue empastelada desde a marola das mini-festações que, se muito, serviram para levar às ruas um bando de anarcodrúpedes.
Sim. Tudo pode e deve ser pago. Mas isso nada tem a ver com o cumprimento das penas por conta dos delitos praticados, e sim com o sentido mais estrito da expressão. Os devedores da Justitia não pagam por suas dívidas. Nem ela se recobra do prejuízo que dá a si mesma (e ao país – quem se importa?) ao imolar a autonomia da instituição na bandeja do crime organizado, tudo em nome da “tecnicalidade” do julgamento. Tá!
Mas não, não há motivos para descrença. Nunca se viu, com clareza tão irrefutável, juízes cumprindo o dever de fazer a justitia à moda. Basta ter visto ministros como Zavascki e o novato Barroso, que não participaram de todas as etapas da novela do julgamento arrastado pelos corredores da Suprema Corte por mais de sete anos. Eles poderiam, assim como Toffóli também, o causídico do PT e assessor de José Dirceu, declararem-se impedidos de julgar. Poderiam? Com certeza, por questões de mais íntimo foro, lá estavam, empenhados em seu propósito, cumpridores da parte que lhes cabe nesta barafunda.
No mais, o discurso do vitimismo já estava/está no gatilho das mídias comensaleiras para vender a imagem desses heróis da causa, desses patriotas “injustiçados” de todo o casuístico jus operandi. Tem até filme encomendado e tudo, a ser financiado com verbas públicas para recontar uma história a qual até a carochinha considera uma ofensa ao seu QI.  Então, que a ampla defesa recaísse mesmo na zebra postergatória do resultado que aí está: malandro é malando, mané é mané. A cada um, portanto, conforme o que deve e possa pagar por seus respectivo$ advogado$ e pelas garantia$ democrática$.
A ampla defesa, no caso, recaiu no garantismo, confirmado pelo STF ao aceitar os ditos embargos infringentes. Esse garantismo pode ser traduzido pela ideia de que “a lei garante o direito do indivíduo”. Mas até garantismo tem limite, né? Aqueloutros quatro pês que o digam! Ao fim, a manobra toda não permite mais que uma inferência: garantia, de fato, é a impunidade para a abadia dos mensaleiros.
Já estava tudo garantido. Ou dominado?, pior dizendo!

domingo, 18 de agosto de 2013

Acordou?

Alguém aí tem notícia de alguma mini-festação diante do STF, o Supremo Tribunal Federal, a Suprema Corte de Justiça do país, exigindo cadeia para os corruptos mensaleiros?
Jogaram chuchu ou casca de arroz nas vidraças, quebraram um ovo que seja?
E  o STF?  Vai encampar e encenar a farsa de julgar o que já foi julgado? Corrupto na cadeia não é “agenda”, “pauta” ou “objetivo” concreto e suficiente para um “movimento”, um “protesto”, uma “indignação”?
Não é reivindicação a conferir se a Justitia funciona, se é igual para todos ou se estamos todos autorizados ao banditismo nessa democracinha dos pés de lodo?
Então, o gigante acordou? É mesmo? Ooohhh...
Populismo, fisiologismo, demagogia, oportunismo & Cia. vão continuar prosperando com a obrigatoriedade do voto que autoriza – digamos assim – as “escolhas erradas” feitas nas urnas pelos analfabetos políticos?
E aquela lei-cosquinha que “transforma a corrupção em crime hediondo”, aprovada  de través só para “dar uma resposta às ruas”? Que resposta? Que ruas?
Em tempo: mensalão, trensalão, seja lá o apelido ou a forma que se dê ao “esquema” (aqueloutro bebum chamava de “maracutaia”, alguém aí se lembra?...), que se faça o baculejo e se recolha à cela a abadia toda.
Ou só serve mesmo pra gastar o latim, “Justitia est constans et perpetua voluntas jus suum cuique tribuendi”? A justiça é a virtude ou a vontade firme e perpétua de dar a cada um o que é seu?
Não é?