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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quem ficou rico com os prejuízos da Petrobras?

José Nêumanne*  (para o Jornal Estadão)
A 36 dias da abertura da Copa do Mundo, o futebol vai se tornando o assunto predominante no Brasil, embora as pesquisas de opinião pública sobre a disputa da Presidência continuem em voga. Então, talvez não seja de mau alvitre recorrer a lúcidos ensinamentos do futebol para aplicar na campanha eleitoral. Este é o caso da máxima dos treinadores que mais ganham campeonatos seguindo uma lição simples: "Em time que está ganhando não se mexe". Mas, com a importância cada vez maior dada ao marketing político nas democracias ocidentais, convém não esquecer o lema que está por trás de toda publicidade, seja comercial, seja religiosa, seja política, atribuído a Joseph Goebbels, o mago da propaganda do nazismo: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade".
Candidata obstinada à própria reeleição, a presidente Dilma Rousseff pode até não ter pensado nas duas sentenças, mas, na certa, as aplicou quando repetiu o mantra com que seu antecessor, padrinho e agora pedra no sapato Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Geraldo Alckmin, em 2006, e ela própria adotou para manter José Serra à distância, em 2010. Há oito anos, aparentemente debilitado pela denúncia do mensalão, o ex-presidente foi ajudado por uma campanha subliminar insinuando que os tucanos privatizariam a Petrobrás. O efeito deletério da patranha em seu desempenho fez o oponente vestir uma jaqueta com logomarcas de estatais, entre elas a Petrobrás. Em vão: teve menos votos no segundo do que no primeiro turno e deu-se a reeleição. Há quatro anos, a falácia levou Serra às cordas e o poste de Lula venceu.
A decisão do eleitor diante da urna depende de muitas motivações e as vitórias petistas não podem ser atribuídas apenas à mentira que, de tão repetida, passou a ser dada como verdadeira. Mas, por via das dúvidas, em Minas, berço dela mesma e de seu maior empecilho à permanência no poder, Aécio Neves, a presidente assumiu como sua a profecia de que a oposição privatizará a Petrobrás ou trocará seu nome.
O problema dela e do Partido dos Trabalhadores (PT) é que o contexto mudou significativamente nesta eleição. Nas duas disputas anteriores, o salário-família para os mais pobres e a bonança econômica para os abonados amplificavam bastante a fé popular na pregação governista. E a Petrobrás propagava ótimas notícias e, consequentemente, excelentes razões para o eleitor não permitir alterações profundas na gestão da maior empresa do Brasil. A fantasia dos Emirados Árabes do Brasil tinha prefixo, hífen e nome: pré-sal - o sonho de mil e uma noites, que Sheherazade não tinha tido a ideia de contar ao rei persa Shariar, de um país disposto a gastar petrodólares em educação e saúde para o povo.
Sete anos após a revelação do sonho, o petróleo extraído da camada do pré-sal no fundo do Atlântico brasileiro continua sendo uma miragem. E, 60 anos depois do delírio de "o petróleo é nosso", a pérola mais preciosa do colar da rainha das estatais, com sua fortuna enterrada em subsolo brasileiro, chafurda na lama de chiqueiros ocupados por figurões do PT e seus aliados, suspeitos de terem dilapidado um patrimônio bilionário em "nebulosas transações". E pior: a pérola jogada aos porcos se desvalorizou vertiginosamente. No palanque em que tenta recuperar o prestígio perdido nas pesquisas de intenção de votos, a "gerentona" de Lula se apega ao truísmo de que a empresa vale hoje mais do que valia no tempo de Fernando Henrique. Este desocupou o trono há mais de 11 anos e continua sendo o parâmetro universal do PT.
Essa comparação sem lógica feita pela candidata não elimina, porém, duas constatações assustadoras de fiasco: em seu mandato, a empresa teve o patrimônio reduzido à metade e desabou do 12.º para o 120.º lugar no ranking do Financial Times. Ou seja: a contabilidade da petroleira foi ao fundo do mar, até o pré-sal, mas não extraiu petróleo para vir à tona.
A princípio, pensava-se que a gigante estatal seria vítima apenas da ingerência política que sangrou seus cofres mantendo o preço de derivados abaixo do custo para evitar a má influência da inflação na medição da preferência eleitoral pela chefe do governo em outubro que vem. Essa má gestão causou, segundo O Globo, um rombo de R$ 13 bilhões em outra estatal, a Eletrobrás, para permitir que a candidata à reeleição baixasse demagogicamente o preço da tarifa de luz.
Mas este não foi o único "malfeito", para usar o termo favorito da beneficiária número um do aparelhamento das empresas públicas pelo PT. A Polícia Federal (PF), que, pelo visto, não foi totalmente submetida ao aparelhamento amplo, geral e irrestrito dos companheiros, constatou na Operação Lava Jato que houve bandalheira. Ao que se saiba até hoje, a desventura em Pasadena, Texas, custou ao cidadão brasileiro, proprietário da Petrobrás, um prejuízo de US$ 2 bilhões. Dez vezes este "troco de pinga" sumiram na obra faraônica da Refinaria Abreu e Lima, bancada pelo público para agradar ao tirânico compadre venezuelano Hugo Chávez.
Governo e oposição acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para resolver o impasse que adia a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o tema: esta exige uma comissão mista e aquele não abre mão de circunscrevê-la ao Senado para controlá-la. A presidente da petroleira, Graça Foster, oscila entre o "mau negócio", pondo o mico nas costas do antecessor, José Sérgio Gabrielli, e o "bom negócio à época", quando lembrada que a empresa é gerida por petistas e aliados há 12 anos. Investigar será o único jeito de saber quem embolsou o lucro, além do barão belga Frère, da Astra Oil. As compras de altíssimo risco das refinarias de Pasadena e Okinawa, os custos estratosféricos da de Abreu e Lima e as suspeitas associações na operação de três termoelétricas são a parte exposta do iceberg. Quem ficou podre de rico com o rombo dos prejuízos que a Petrobrás teve – eis a questão submersa.
(*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor.)

quinta-feira, 27 de março de 2014

O agá é forte

Alguém aí preocupado só porque a PTrobras, sob mando do gerento Lula e da gerenta Dilma Rousseff,  pagou 1,7 bilhão de dólares por uma refinaria em Pasadena (Texas) que foi avaliada em 42,5 milhões de dólares?...
Bobagem, caraminguá, coisica de nada... É dinheiro equivalente a só 8 dias de recolhimento de impostos pagos pelos brasileiros em 1 ano de ralação... Com essa merreca dava para construir aí umas 35 mil casinhas populares, se muito...
E tem outra refinaria no Japão, a Nansei, comprada pela PTrobras ao preço de 71 milhões de dólares, reformada ao custo de 200 milhões de dólares? Depois dos gastos, a PTrobras quis vendê-la. Consta que até agora não houve oferta superior a 150 milhões de dólares... Isso é só coco de mosquito para um país tão rico...
E aqueloutra refinaria, a Abreu e Lima? A que seria construída em Pernambuco, em sociedade entre o defunto ditador Hugo Chávez e o então presidentro Lula? O custo da obra, inicialmente, era de 2,5 bilhões de dólares. O Brasil investiria 40% e a PDVSA, a companhia Petróleo da Venezuela S/A, 60%. Não é que a tal PDVSA não gastou um puto enquanto a PTrobras já despejou uma fortuna e o custo da obra vai a quase 20 bilhões? A tal refinaria deveria começar a produzir em 2011, mas está longe de ficar pronta... Nadicas, neruscas...
E mais as outras refinarias expropriadas no grito pelo mui amigo (de Lula) Evo Morales, insuflado pelo beiçola de Caracas, em 2006?...
Não fosse tanta bagatela, a gente até pensava que essas refinarias são usinas de dinheiro... Tutu, bagarote, milho que não veio parar no meu bolso e nem no seu aí, eu acho, mas dele saiu na forma de impostos...
O agá é forte: já tem diretor da empresa demitido, tem diretor foragido, tem passarinho e laranja explicando a circulatura do quadrado... O superfaturamento das transações está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF)... Também foi aberta uma Comissão de Parlamentar de Inquérito no Senado para apurar o patuá petrolífero...
Tudo, vê se pode, por conta dessa mixaria, de mais esse angu que não vai virar pizza... Nem eu-você-nós não vamos pagar o chorume... A PTrobras periga até ficar mais nobre...
Então, vai você aí se preocupar com isso? Qualé?... É só carcanhol, pilim, faz-me rir, dindim, grana, gaita, arame, verdinha, money, larjan, dinheiro público enterrado que nem titica de gato por esses Grandes, Inigualáveis, Magnânimos Benfeitores da Humanidade que governam o Brasil S/A... 
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A nova pois era do pré-sal

Ela e a turma da jornalice financiada com dinheiro do público bocó bem que tentaram dar à coisa o nome de “partilha”. Mas dê-se o apelido que quiser, com tintas encarnadas o fato é que Dilma Rousseff do PT privatizou o petróleo do pré-sal e ponto.
Na privatização do campo de Libra, o arremate do leilão a entrega a um consórcio único foi literalmente um negócio da China para a empresa estatal Chinese General Nuclear Power Group, associada com a francesa Total e a anglo-holandesa Shell, com participação da Petrobras. A China, já fortemente atuante no mercado de energia – de todo tipo e não só do petróleo –, sai ainda mais fortalecida no imperalismo do setor.
Enquanto o resto do mundo desenvolvido se move na busca por outras fontes de energia, no Brasil se anuncia o prodígio dos falsos milagres. Arrota-se por aí que o dinheiro será aplicado em educação e saúde como se, de repente, fosse chover dinheiro nessas hortas. Mais fácil é chover dinheiro nas hordas. A grana do petróleo gotejará ao longo dos anos, não virá em barris extraídos na hora.
Descontadas as maminhas e mamatas que vão pelo fundo do poço, se o futuro é incerto com as dificuldades do presente com inflação e tudo, [quase] mais incertas são as projeções. A mais óbvia é que nada se resolverá com propagandas (caras e inúteis, como aquela financiada pela Petrobras para fazer cápsulas do tempo com mensagens dos brasileiros, levá-las à região do pré-sal e desenterrar daqui a dez anos). Muito menos com o cinismo do marketing político-eleitoreiro já prospectado para 2014. Fica aí a mensagem, não precisa enterrar.
O Brasil já gasta muito – e mal – com educação e o resultado é a distribuição de diploma a um contigente absurdo de analfabetos funcionais. Que, não bastasse, são também analfabetos políticos que votam como apostadores de um bolão do final de uma telenovela. Na saúde, melhor pegar com Deus para o alívio dos enfermos e o livramento das almas.  
Mas tudo indica que vem aí uma nova era. Quando passar o carnaval, rasgada a fantasia petista da república sindicalizada, fatalmente virá a razão cobrar a fatura. É!... Pois era.