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quarta-feira, 21 de maio de 2014

O despertar dos artistas

Por Branca Nunes
Adélia Prado no programa Roda Vida
 “Tinham três coisas que a gente fazia quando era garoto que a gente mais se amarrava: andar de skate, ouvir Rock n’Roll e falar mal do governo”, anunciou Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, durante a apresentação do grupo no Rock in Rio 2011. “Na verdade, os anos foram passando e a gente descobriu que gostava de falar mal de qualquer governo. Fosse ele de esquerda ou de direita. Todos são iguais. Essa aqui é para as oligarquias que ainda parecem dominar o Brasil. Essa aqui é para o Congresso brasileiro, em especial para o José Sarney”.
A fala que precedeu a música Que país é esse?  não foi apenas o estopim para o grito contido na garganta de milhões de brasileiros. Ela marcou também o despertar de artistas e intelectuais diante daquela que é, segundo definiu Adélia Prado no programa Roda Vida, uma das épocas mais cinzentas da história brasileira. “Nós vivemos uma ditadura disfarçada”, lamentou a poeta. “Os poderes da República estão como comida envenenada”.
Em 2013 foi a vez de Lobão, massacrado pela esquerda depois do lançamento do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca. “Temos uma presidenta que é uma anta, que fala mal, que pensa mal”, desabafou o cantor. “Nós temos que sair desse atoleiro”.
A mesma raiva despejada sobre Lobão foi desferida na última semana contra Roger, vocalista do Ultraje a Rigor, e Ney Matogrosso. Ney entrou no rol dos inimigos da pátria depois de fazer, durante uma entrevista à emissora portuguesa RTP, a pergunta que se fazem todos os brasileiros decentes: “Se existia tanto dinheiro disponível para gastar na Copa, por que não resolver os problemas do nosso país?”.
Criticado pelo twitter, Roger contra-atacou ao vivo, durante um show no último dia 10: “Fui atacado porque, segundo a lógica distorcida desses cretinos, eu estaria aceitando dinheiro de um governo que não apoio para tocar hoje aqui, e que isso não seria coerente. Pois bem, quem está me pagando hoje não é um partido que se considera dono do Brasil”. E terminou com a constatação que tanto os cidadãos quanto o governo – um por ignorância, outro por esperteza – parecem esquecer: “Quem está me pagando é o povo, do qual eu faço parte”.
Leia o texto na íntegra e confira os vídeos, aqui, no blogue de Augusto Nunes.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Lula e o ornitorrinco

“Lula não tem caráter.”
A frase matadora é do sociólogo Chico de Oliveira, fundador do PT, no programa Roda Viva, da TV Cultura, que foi ao ar ontem, 02/07/2012. Professor emérito da USP, torturado e perseguido pela ditadura, Chico é daqueles que não fazem praça disso.  
Na entrevista, altamente recomendada para petralhas e oposicinha em geral, ele expõe o oportunismo ‘tout court’ do partido voltado à perpetuação do PT no poder.
E antes que se recorra à patifaria da “perseguição pela mídia” ou se acuse o velho Chico de qualquer ressentimento – o que decerto os ressentidos militontos farão –, cabe lembrar certas "afinidades eletivas": não existe eleito sem eleitor, nem (des)governante sem (des)governado.
Quem quiser assistir à entrevista, disponível no Youtube, basta clicar no link:
Charge de Chico Caruso
(Chico de Oliveira é autor do livro “Crítica à Razão Dualista: O Ornitorrinco”, publicado em 2003. A obra analisa a economia e compara o Brasil ao ornitorrinco – um bicho que não é isso nem aquilo: urbanizado, mas com pouca força de trabalho e instrução insuficiente, saúde e educação precárias. Um país que ‘parece dispor de consciência, pois já se democratizou há três décadas’, mas que padece da falta de conhecimento, ciência e técnica. O ornitorrinco – um animal improvável na escala da evolução – é a forma como Chico qualifica a espécie de capitalismo que se gerou no país e que não dá mostras de mudança com o Partido dos Trabalhadores na Presidência da República.)