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sábado, 30 de junho de 2012

Rio +de 20... milhões

A Rio +20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, levou do nada a lugar nenhum o problema socioambiental no planeta.
Mas a rave política não só serviu de palanque para maconheiros que querem queimar o mato sem pegar cana, como foi palco de mais um episódio terrorista do MST e até pretexto para a Marcha sem calça – ops, sem causa - das Vadias que lá foram confirmar a tese do saudoso Millôr de que o melhor movimento feminino é o dos quadris.
Tudo custou aos bolsos do contribuinte a quantia de R$ 97,1 milhões (confira no site Contas Abertas). Ao contribuinte – esta espécie ameaçada pela não extinção da roubalheira e da gastança oficial neste país em desenvolvimento da corrupção sustentável.

sábado, 22 de janeiro de 2011

A conta da farra

Um novo recorde.
Chegam a R$ 80 milhões os gastos sigilosos do governo feito com cartões corporativos.
Tudo isso em meio ao caos das chuvas, ao drama dos mortos e desabrigados, às denúncias de desvios no programa Minha Casa, Minha Vida, ao fiasco do Enem, à alta sorrateira da inflação e ao aumento acintoso dos salários dos parlamentares.
É dinheiro gasto sem que o contribuinte – que paga a conta – saiba onde foi parar.
Desde que foi implantado, em agosto de 2001, os gastos com o cartão já atingiram R$ 357,6 milhões. Quem mais utilizou os cartões ao longo dos últimos nove anos? A Presidência da República. Só em 2007 foram R$ 58,7 milhões, o equivalente a quatro mil moradias populares.
As despesas não podem ser discriminadas por serem “informações protegidas por sigilo, para garantia da segurança da sociedade e do Estado”.
Resta saber onde está essa “segurança da sociedade”. Já por parte do governo se vê a farra mais do que garantida pelo “sigilo”.
O aumento com as despesas foi de 66% em relação aos milhões consumidos em 2009, de acordo com dados da ONG Contas Abertas. Confira aqui.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Não é o fim da tragédia




As charges acima dispensariam quaisquer comentários.
Mas outras tragédias virão.
Naturais ou humanas, como essas, solapadas no terror das águas e dos deslizamentos de terra na região serrana do Rio de Janeiro.
Nas imagens e relatos, sob a ótica das edições televisivas que nos dão o [des]conforto da distância diante da dor dos outros, não falta a gota da consternação que comoveu até a misericórdia o Papa, a implorar a assistência e consolação divina para os desalojados e quantos sofrem física e moralmente.
Mas a gota d’água a transbordar um pote até aqui de lástimas é a da irresponsabilidade.
Não se vá imputar a calamidade aos céus nem aos flagelados que ocupam barrancos e áreas impróprias (ou não) à moradia, gente entregue à [má] sorte de sucessivas administrações públicas relapsas, incompetentes e inoperantes.
Se essa gente lá está – e centenas de pessoas já não estão mais – é por causa do deixa-rolar do poder público. Do descaso de governos e das políticas “de gabinete” que transformam a conivência criminosa em votos nos períodos eleitorais para candidatos nada cândidos. De votos que botam no poleiro uma trupe ocupada em legislar em causa própria, a esbaldar-se em vantagens indevidas e a defender interesses de partidos e ‘cumpanhêros’. Aqueles que se elegem e se enriquecem à custa da desgraça dessa gente.
São as excelências das artes de furtar, de prevaricar com o dinheiro público, de subtrair a ética da administração da vida do país e “governar” com empulhação marqueteira.  
A tragédia do Rio de Janeiro foi anunciada por estudo encomendado pelo governo (confira aqui).
Mas a iminência do desastre não tem agenda. A campanha eleitoral, a eleição, a reeleição é o que interessa, o resto não tem pressa.
A tragédia anunciada do Rio de Janeiro, um crime social, não é nem será a última.  
Não precisa calendário maia, é só ver os sinais dos tempos na res publica do Brasil de hoje.
A tragédia do Rio não bastará para chamar à responsabilidade um povo conformado, feliz com o orgulho barato do desenvolvimento nacional nunca antes visto na história desse país, pelo qual se paga muito caro. Nem vai pôr a garrote governantes safados na paz da bovinidade. Os mesmos que irão valer-se da prosaica solidariedade deste povo para se soerguer nesse país de [nem] todos, povo marcado, êh, povo feliz. Que só é nação na vã euforia dos gramados ou no batel da desgraça.
Por solidariedade e consternação, mais que justificados pelo horror da hora, brotarão os esforços e o engajamento de toda parte do país com a ação do voluntariado, o trabalho da Cruz Vermelha, das ONGs, Defesa Civil, polícias, corpo de bombeiros, dos bancos que já disponibilizaram contas para doações, de artistas, das iniciativas privadas. A sociedade civil, mais uma vez, fará o seu papel, para suprir a sonegação de seus governantes.
Os donativos para acudir as principais necessidades – água, comida, produtos de higiene, remédios, roupas e cobertores – chegarão às vítimas.
A reconstrução de vidas e destinos se fará, é certo, lenta e penosa, nas memórias para sempre turvadas por um rio que passou torando o caos.
Só não terá torado a corrupção, a irresponsabilidade, a demagogia, o descaso, a incompetência, a canastrice de governantes em todos os níveis, salve-se aí alguma fatídica exceção.
E depois, depois vem carnaval, copa do mundo, olimpíada... Com superfaturamento, muito jogo de empurra e barriga vai-se levando... Com jeito vai.
Mas que se saiba: falta de aviso não foi, como atestou o estudo feito pelo próprio governo. Estudo que deveria servir de alerta para o resto do Brasil.
Falta de dinheiro não é, porque o país tem uma das cargas tributárias mais altas do mundo, cerca de 35% do PIB. Falta de projeto também não é, porque o Ministério das Cidades tem verba e um Programa de Prevenção e Preparação para Desastres. Falta de empenho e compromisso sim, porque o Centro de Prevenção de Desastres – há dois anos – não sai do papel em meio a um PAC virtual que, dizem, há por aí.
Repetindo: Há dois anos, o Ministério da Integração Nacional empurra a construção do Centro Nacional de Gerenciamento de Desastres (Cenad), com orçamento acumulado de R$ 2,6 milhões, o que poderia evitar e minimizar os danos provocados pelas chuvas com o monitoramento dos riscos. O Cenad não saiu do papel “por conta de dificuldades relacionadas ao terreno que vai abrigar o departamento em Brasília”, informou o site da ONG Contas Abertas (clique aqui para ler matéria na íntegra).
As tragédias acima poderiam até não acontecer.
As tragédias acima dispensariam quaisquer comentários.
Mas outras charges virão.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Filosofia de sabonete

Para quem anda abestado com os altos salários dos tiriricas mais as ajudas de custo isso-e-aquilo, tome mais esta:

R$ 2,7 milhões de reais

É o valor da conta que tu+eu+nós pagamos de gastos dos funcionários para eles, os ex-presidentes dos Estados Unidos da República Federativa do Brasil.
Não se pense que porque o chefe deixou o cargo as regalias minguaram.
Os ex-celências têm direito a oito funcionários permanentes, de livre escolha, com salários que variam de R$ 2,1 mil até R$ 9 mil, para exercer funções de segurança e assessoria.  
O valor da continha milionária está publicado no site da ONG Contas Abertas, para quem quiser conferir (clique aqui).
São cinco os ex-celências: Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), José Sarney (PMDB-AP), Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Itamar Franco (PPS-MG) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP).
Antes os ex recebiam ainda o salário embolsado enquanto presidentes. A mordomia foi cortada no governo FHC.
Sarney, Collor e Itamar Franco continuam senadores.
Você pergunta se o acúmulo de cargo acumula as vantagens? Sim.
Hein? Se os vencimentos podem chegar a mais que o dobro permitido pela Constituição Federal que estabeleceu como teto salarial o subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal? Sim (veja aqui).
Se os ex podem passar férias na praia do Forte dos Andradras, e nós pagando? Sim, se algum camarada ministro convidar.
E passaporte diplomático, pode? Sim, carteirada aqui é “de lei”, neo.
E tem mais?     
Os ex-celências têm à disposição dois veículos oficiais de luxo e combustível ilimitado (confira aqui). Os carros são novos e o modelo mais utilizado é o Chevrolet Omega. Valor? R$ 150 mil. Os dois carros? Não, cada.
Não, não pense que se morrerem acaba a maminha, a mamona, a mamata, a mamadeira ou outro apelido que se lhe dê. No óbito, fica a pensão vitalícia de R$ 26,7 mil para a viúva.
Justo. Tudo em nome dos relevantes serviços prestados à nação.
E dos irrelevantes?
Aí, neo, é a filosofia do antigo sabonete: vale quanto pesa.