quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Tudo conforme o azul



Quarta-feira magra e vou pela rua tocando a gaita das contas a pagar quando as duas adolescentes com seus uniformes de estudantes primaveris vieram trocar beijinhos e carícias ao meu lado.
Abraçadas, provocantes, como se o titio aqui pudesse participar da festinha delas, uma falou:
– O povo deve ficar horrorizado, ver a gente assim...
A outra, de rostinho colado:
– E se eu chegar em casa e falar pra minha mãe que estou namorando a Paula? Ela vai morrer!.
Aí eu arrisquei um palpite:
– Depende. De repente, fica até mais viva... Se fosse a Paula Fernandes, a mãe já ia correndo preparar o noivado e avisar todo mundo...
Elas e eu rimos um tanto.
A que mais parecia o mocinho da relação, ainda rindo bastante, respondeu:
– É mesmo, tudo é relativo.
E lá se foram, avenida afora, as meninas se pegando em alegria e juventude, como se nada fosse, naturalmente, comum.
Nada é relativo, pensei comigo antes que dobrassem a esquina. Tudo é, em absoluto, conforme o azul do olho da cara ou do olho do cu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário